Escrevi Vitrine de Falsas Virtudes como um poema que oferece uma crítica multifacetada da sociedade e da condição humana. É estruturado em torno de imagens como: espirito de plástico, porta-vozes dos mortos, meias verdades, guerra de palavras, etc como linguagem evocativa para explorar temas como hipocrisia, desespero e busca pela verdade.
Os “cínicos” são apresentados como figuras dominantes, enquanto o termo “espírito de plástico” sugere a superficialidade e a falsidade em suas convicções. “Convicções instantâneas”, refletem a inconsistência e a falta de profundidade em suas crenças recém adquiridas. A palavra “entronizados” indica que esses cínicos se colocam acima dos fatos para assumir o papel de “porta-vozes dos mortos” subvertendo a verdade através de palavras e ações vazias, meramente ecoando ideias em suas mentes fracas, aplicando com maestria o maquiavélico conceito de que os fins justificam os meios.
Os mortos, aqui, são figuras que carregaram os fatos, simbolizando a verdade perdida e a impossibilidade do contraditório, o que permite aos cínicos fazer uso de “meias verdades”, para construir mentiras inteiras. O que em, em outras palavras, significa que o legado dos mortos pode ser repleto de distorções e manipulações visando a elaboração de uma narrativa enganosa baseada em fragmentos de verdade do passado.
O sujeito “à beira do colapso”, simboliza um estado de crise pessoal. A expressão “cativeiro existencial” sugere uma sensação de aprisionamento pela aparente inevitabilidade circunstancial, de modo que, diante dessa situação, a busca por resguardar a dignidade e a afirmação de dizer “Não!” surgem como um ato de resistência contra a realidade “suja e exaustiva”, revelando a convicção sobre a importância da manutenção da integridade, autenticidade e princípios mesmo em frente às maiores injustiças da vida.
O poema termina com um lamento sobre a corrupção da verdade e a superficialidade das convicções. A “primeira vítima de uma guerra de palavras”, critica a manipulação e distorção da verdade na comunicação humana. Enquanto o verso “faz tempo que o tempo deixou de ser justo” encapsula um sentimento de desilusão com a passagem do tempo e a evolução da sociedade, sugerindo que a busca por consensos novos não tem sido capaz de corrigir injustiças e falsidades perpetuadas ao longo do tempo.

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