Atualização 04/09/25 - Esta atualização vem registrar algo que tem me surpreendido nos últimos meses: o contato de alguns familiares distantes. Tanto geograficamente, como no grau de parentesco.
Como já contei antes, durante todo esse processo, acabei me aproximando do mortos e de um pedacinho de suas histórias. Mas, o que percebo agora é que, mesmo mortos, de alguma forma, eles ainda tem o poder de estabelecer conexões entre nós, vivos. Continuam costurando os fios invisíveis que nos aproximam, ainda que espalhados em diferentes cantos do mundo.
Nesta jornada recente, conheci parentes nos Estados Unidos, outros aqui no Brasil interessados em tirar cidadania europeia... mas talvez o encontro mais marcante tenha sido com Ignácio, um argentino que, depois de trocarmos informações, descobri ser algo como um primo em terceiro grau. Um pedaço de família que, de repente, ganhou nome, rosto, voz e um sotaque portenho.
É uma sensação reconfortante pensar que as informações que venho construindo paciente e silenciosamente ao longo do tempo, também estão iluminando o passado de outras pessoas - seja para conhecerem seus antepassados ou para adquirir um direito de cidadania estrangeira.
E, assim, sigo na expectativa de quais revelações os registros e os cruzamentos automáticos ainda me reservarão. Quantas novas conexões familiares poderão surgir ?Só o tempo, generoso como tem sido, poderá responder
Atualização 05/05/25
Bem que este poderia ser um post patrocinado, uma vez que falarei bastante sobre uma ferramenta disponível na internet que pode ajudar muito a quem se interessa por genealogia.
Não lembro bem do contexto da época. No meu caso, acredito que o que despertou meu interesse deva ter sido alguma conversa banal de família. E recorrer à internet foi a solução mais óbvia que encontrei para tentar descobrir um pouco mais sobre minhas origens. Quem sabe um pouco mais do que os meus pais já haviam me contado...
Desde então, lá se vão quase dez anos desde que encontrei o Family Search, que é uma ferramenta criada, desenvolvida e mantida pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que disponibiliza o serviço gratuitamente, independente de cultura, tradição ou religião. Basta um cadastro simples para usufruir dos recursos e começar a descobrir coisas interessantes sobre sua herança (genética) e se conectar com seus antepassados.
Convém, porém, ressaltar que, fazer uma pesquisa genealógica por conta própria, não é algo simples e que se resolva com apenas alguns poucos cliques. Descobri isso na prática. Por vezes, é necessário cruzar datas, nomes de cônjuges, filhos, pais e etc, para ter certeza de que se trata mesmo da pessoa procurada. Isto porque, além de homônimos (pessoas que possuem o mesmo nome), não é raro encontrar diferenças na grafia do nome das pessoas.
Cito como exemplo uma bisavó minha cujo sobrenome: Benite, aparece em outros documentos e registros como Benati, Benete, Benetti e Benites e, a única forma de ter certeza de que se trata da pessoa certa, é correlacionando com datas e/ou nome de outros parentes contidos em cada documento.
Infelizmente, é um processo que vai decepcionar um pouco os imediatistas, impacientes e ansiosos. Não vou enganar ninguém: Não é como procurar um endereço no Google. É mais como montar um quebra-cabeças, em que você busca entre milhares de registros, as peças que se encaixam na imagem que você está criando.
Por isso, é importante repetir: comecei esse processo em 2014. Ao longo desse tempo, troquei informações com primos distantes, colaborei em mais de 900 registros e adicionei mais de 200 pessoas. Mas há momentos em que os resultados das pesquisas já não trazem mais nenhum dado novo e é necessário dar um pouco de tempo ao tempo para que novas informações sejam transcritas e inseridas no banco de dados da ferramenta, que conta com documentos oficiais fotografados, transcritos por computadores e/ou com a ajuda de voluntários, que indexam registros antigos escritos à mão e de difícil leitura. Conta também com banco de arvores genealógicas compartilhadas e com registros fornecidos por outros sites parceiros pelo mundo. Um trabalho difícil, mas memorável e valioso.
Além das buscas e pesquisas, o próprio sistema cruza automaticamente as informações já existentes na sua árvore e indica ( caso encontre ), possíveis conexões com outros familiares antepassados. São sugestões apenas, cabe a você revisar as informações encontradas e anexar ou dispensar tais indicações.
Os registros incluídos podem ser encontrados e editados por qualquer usuário. É o que permite o crescimento da plataforma enquanto comunidade genealógica compartilhada. Então, é possível e, até recomendável, habilitar uma monitoração nas pessoas da sua árvore para que você seja notificado caso, alguma informação seja alterada ou incluída. Isto permite total controle e ciência sobre as informações da sua árvore.
E foi fazendo uso de todos esses recursos que, até este momento (2025), estou chegando nos meus tetravós. Pode parecer pouco, mas quando seus bisavós já não eram brasileiros, a busca por documentação torna-se cada vez mais difícil.
Nesse tempo todo, minha árvore cresceu muito mais lateralmente do que verticalmente (se é que posso dizer assim), justamente pela escassez de informações e registros de seus países de origem.
Apesar disso, descobri coisas interessantes. Por exemplo: cresci ouvindo que eu era descendente de argentino por parte de pai. Digamos que isto seja uma meia verdade. Meu avô realmente nasceu na Argentina. Inclusive, achei o registro de batismo dele em uma igreja de Rio Cuarto de 1917. Mas os pais dele (meus bisavós), vieram de Portugal. Mais especificamente do distrito de Guarda. E fui procurar entender o porquê.
Apenas para contextualizar superficialmente o cenário da época, a economia argentina apresentava uma das mais importantes taxas de crescimento do mundo. Uma potência agrícola indiscutível e uma gigante comercial da carne e dos cereais. Líder incontestável na região, a Argentina atraía imigrantes de todas as partes, de tal modo que os habitantes nascidos no estrangeiro chegaram a representar, em dado momento, quase metade da sua população.
Por outro lado, por parte de mãe, minha ascendência é basicamente de origem espanhola. Encontrei cartões de imigração registrando a chegada deles em Santos, em 1910.
Novamente, contextualizando o cenário da época, os imigrantes espanhóis, em sua maioria, eram camponeses que chegavam no Brasil com a família, imigrando em definitivo e indo diretamente para o interior, para as fazendas. Eram majoritariamente pobres e analfabetos, cuja viagem fora subsidiada pelo governo brasileiro.
Um outro detalhe interessante, mas que ainda não consegui confirmar, é que o meu sobrenome: Fonseca, pode (ou parece) ser uma derivação de Poncica. Se isto for verdade, seria interessante entender como essas alterações ocorrem ao longo do tempo.
Neste caso, estamos falando de pessoas nascidas por volta de 1860. Meu palpite é que, como o índice de analfabetismo era bastante grande na época, as pessoas não tinham muita condição de conferir seus próprios documentos, estando completamente à mercê do que ouviam e como entendiam os escreventes, escrivães, escribas (sei lá como eram chamados) ou vigários e de como transcreviam as informações para os livros paroquiais e outros documentos utilizados na época.
Este palpite parece fazer sentido pois, pesquisando sobre isso, encontrei um documento que diz que: Em 1878, 79,4% dos portugueses maiores de 6 anos não sabiam ler. Talvez haja estudos semelhantes sobre outros países da Europa, mas acredito não ser necessário recorrer a estes pois, aparentemente, este índice de analfabetismo é uma característica do período. Especialmente entre portugueses, espanhóis e italianos.
Do ponto de vista pessoal, também é importante dizer que, ao longo desse processo, tive contato com muita gente morta. Isto mesmo, muita gente morta!
Através de seus registros de nascimento, descobri onde e em que época viveram, de quem eram filhos e netos. Localizei certidões de casamento e descobri quando e com quem se casaram. Encontrei também muitos atestados de óbito e, através deles, descobri quando e do que morreram e se deixaram filhos. E me aproximei deles (os mortos).
É mais fácil do que parece. Afinal, sabemos pouco sobre eles e a curiosidade talvez ajude nessa aproximação. Descobri que os homens em sua grande maioria eram lavradores e operários. As mulheres quase sempre domésticas ou "do lar".
Gostaria de entrevistá-los, saber um pouco sobre eles, como enxergavam a vida, especialmente fora do Brasil. Se acham que foi uma boa terem vindo de mala e cuia para um país como o Brasil. Saber se carrego comigo algum traço de personalidade de algum deles.
Talvez não fosse exagero dizer que me senti bem passeando entre eles, tentando desvendar suas histórias e imaginando como viviam. Talvez até mais a vontade com eles do que entre os vivos. Por um simples motivo: estão mortos! Seja qual fosse sua índole, já não possuem mais poder algum sobre outras vidas. São inofensivos. Ao contrário do vivos, que sempre podem surpreender.
E assim, ininterruptamente, um sem número de informações novas são disponibilizadas na ferramenta todos os dias. Quem sabe quais revelações os registros e os cruzamentos automáticos de informações poderão me trazer no futuro ? O tempo dirá.

1 Comentários
Achei essa pesquisa o máximo .
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