Dias atrás, um colega do trabalho me perguntou detalhes sobre um determinado produto. Não me lembro exatamente o que era, não importa. O que importa é que me lembro de ter respondido com certa normalidade que não sabia muito, afinal, era de marca barbante.
O silêncio de meu interlocutor denunciou que não havia entendido patavinas do que eu disse.
Pensei comigo: Boiou!
E acrescentei:
— É, genérico!
Mais tarde, revisitando aquela conversa, me perguntei por que usei tão naturalmente uma expressão que meu pai costumava dizer. E percebi que nunca antes tive a curiosidade de saber por que “marca barbante”.
Minha curiosidade foi rapidamente satisfeita numa simples busca na internet. Afinal de contas, nessa altura do campeonato, Inês já é morta e meu pai descansou.
Conta-se que a expressão surgiu nos primeiros tempos da produção industrial de cerveja. Como a fermentação ainda não era totalmente controlada, a pressão dentro das garrafas fazia as rolhas saltarem. A solução era simples: amarrá-las com fios de barbante.
Na época, muitas bebidas artesanais ou populares ainda não tinham rótulos impressos e a identificação acabava sendo feita pela cor do barbante usado nas garrafas. Com o tempo, “marca barbante” passou a definir aquilo que não tinha uma marca conhecida, produtos mais simples, genéricos ou de qualidade duvidosa.
E uma daquelas expressões tão antigas que, hoje em dia, provavelmente já não dizem muita coisa para quase ninguém. Para mim, pelo menos, continua dizendo e a influência do meu pai talvez seja o motivo de eu ter dado aquela resposta.
E não foi um caso isolado. Ontem, usei de novo a tal expressão.
Há algumas semanas, comprei, meio a contragosto, um sapatênis. Não sei onde eu estava com a cabeça. Nunca gostei de sapatênis, mas, sabe-se lá por quê, comprei.
Deve ter sido um daqueles dias em que só queremos comprar alguma coisa. Não importa muito o quê.
Felizmente, depois de poucas vezes de uso, o solado rachou e tive que inutilizá-lo.
Ainda bem que era de marca barbante.
Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior


1 Comentários
Uma palavra aparentemente banal carregando uma história inteira. É sempre muito bom quando a memória nos traz de volta presenças que foram tão importantes. Adorei!
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