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Woodstock: O Despertador

A viagem de São Paulo à Tiradentes é relativamente longa, algo em torno de seis ou sete horas. A rodovia utilizada no trecho entre São Paulo e Perdões (MG) onde fica o acesso para Lavras é a famosa Fernão Dias (BR381) e está em boas condições de conservação, já que acabou de ser totalmente duplicada pelo governo (fato que merece destaque nestes dias de total descaso). Durante todos esses anos indo para Tiradentes estabeleci alguns pontos de parada que acabaram se tornando habituais.

O primeiro é o Restaurante do Paulinho. Local onde costumo tomar café da manhã. O lugar não é lá essas coisas e anda meio caído ultimamente, mas como um pingado e um pão na chapa não exigem muito luxo, não vejo problemas em continuar parando lá. Até porque não lembro lugares melhores nas imediações. A próxima parada fica mais ou menos na metade do caminho: a Fazenda do Vale, em São Gonçalo do Sapucaí. Esse sim um lugar de muito bom gosto, com produtos deliciosos produzidos lá mesmo que vão desde iogurte, doces, queijos até artesanato regional. Parada obrigatória.

SAIBA MAIS: Fazenda do Vale

Um pouco mais à frente, cinquenta quilômetros antes da entrada de Lavras, fica o Cantinho da Gula, mais um lugar simples, de gente boa e de boa comida, tudo feito lá também.

Desta vez cheguei em Tiradentes por volta das 13h junto com a chuva que resolveu não parar mais até o dia seguinte. Se por um lado a chuva atrapalhou um pouco do passeio, por outro, propiciou um visual relaxante, caindo sobre Serra de São José.

Numa das únicas tréguas que a chuva ofereceu, peguei o carro e fui até São João Del Rei para visitar a Igreja de São Francisco de Assis, onde está o túmulo do ex-presidente Tancredo Neves. Não que eu considere o túmulo do ex-presidente uma atração turística, a verdade é que a igreja é uma das mais bonitas da região e, como o cemitério é anexo, não custa dar uma olhadinha lá também. Dessa vez tive a oportunidade de conhecer a igreja por dentro, e confesso que fiquei impressionado. De uma forma geral, as Igrejas Barrocas de Minas Gerais (falo de Minas Gerais porque são as que eu conheço), sempre me impressionam bastante.

SAIBA MAIS: Igreja de São Francisco de Assis

Cada igreja é uma obra de arte. Seja pela arquitetura, pela riqueza de detalhes, pelo requinte e até pelo cuidado com os jardins e partes exteriores. Não vou entrar em detalhes e nem tentar demonstrar um conhecimento que não tenho. Acho mais interessante que você vá ver com seus próprios olhos e forme sua própria opinião.

Saindo da igreja fui induzido por um guia local a visitar uma casa de peças em estanho. Eram peças muito bonitas por sinal e o mais importante, com preços muito bons. Um lugar que vale a pena voltar quando precisar de alguma peça de decoração diferente.

À noite, conforme planejado previamente, fui com meus primos e primas num barzinho que me disseram ser bem legal para jogar conversa fora. Eu, a Dani e o Evandro e a Denise e o Marco Aurélio. Este último, acabei chamando, a partir daquele momento, de “Marcorélio”, por causa do jeito de falar da Denise e, tanto o lugar, quanto tempo que passamos lá foram agradáveis e merecem o registro nesse texto.

Chovia, pra variar. E foi debaixo de chuva deixei a Denise e o “Marcorélio” em casa e voltei pra casa da Dani, onde estava hospedado. Noite tranquila. Do lado de fora só o barulho da chuva. A janela fechada apenas com os vidros deixava entrar o pouco de luz daquela noite chuvosa. Repassei o dia num exercício mental até que, finalmente vencido pelo cansaço, adormeci.

Se houve algo curioso e surpreendente nessa viagem foi o meu despertador. Um pardal que teimava em entrar no quarto, mas que sempre dava de cara com o vidro. Na primeira vez, acordei assustado com o barulho pensando que fosse um morcego mas, quando vi que já era dia, descartei a possibilidade. Só depois de ter sido despertado mais duas ou três vezes é que fui compreender que era o pequeno pardal (a quem vou imortalizar aqui como Woodstock, em homenagem àquele passarinho desajeitado amigo do Snoopy), querendo entrar.

Com as insistentes investidas do Woodstock contra a janela, acabei levantando cedo e, depois de um belo desjejum, preparado pelos donos da casa, saí para uma voltinha pela cidade, antes do passeio de Maria Fumaça entre Tiradentes a São João Del Rei que é um passeio de 13km e dura cerca de 45 minutos, margeando o Rio das Mortes, com vista para a Serra de São José. A dica para apreciar melhor a paisagem é escolher o lado direito do trem no sentido S.J. Del Rei.

SAIBA MAIS: Passeio de Maria Fumaça

Depois de tantas visitas a Tiradentes, resolvi fazer este passeio pela primeira vez e confesso que fiquei um pouco decepcionado. Esperava um pouco mais do aspecto paisagístico e acho que R$22,00 por pessoa (ida e volta) é um pouquinho demais para o que o passeio oferece. Na estação de São João Del Rey existe um museu ferroviário muito bem conservado que vale a pena ser visitado. Há também a rotunda mas, nesta oportunidade, não estava aberta à visitação.

SAIBA MAIS: Museu Ferroviário

Depois da visita ao museu, enquanto esperava pela hora do retorno à Tiradentes que se daria em quarenta minutos, caminhei pela cidade vazia procurando algo para comer. Acabei encontrando um lugar que vende a melhor empada que já comi na vida. Um lugar simples chamado com propriedade de Universo da Empada que, aliás, por coincidência, fica na Rua Tiradentes que, novamente por coincidência, é a mesma do bar em que estive na noite anterior, o Del Rey Café.

SAIBA MAIS: Universo da Empada

Voltei à Tiradentes com o tempo ainda instável que se traduzia numa garoa fina e intermitente. Nada que me impedisse de caminhar pelo centro histórico vendo as lojinhas e, quem sabe, comprar algumas lembranças. Andei até não aguentar mais mas, o que vale registrar aqui, é que encontrei um sebo super interessante mas sem sinal do dono. Fiquei um tempão dentro da loja dele até que, de repente, surgiu do nada um cara meio maluco que era a cara do David Bowie dizendo em alto e bom tom: “- Desculpe, eu estava fazendo xixi”. Tive vontade de rir e dizer: “Pelo tempo que você sumiu acho que não era só xixi não, hein?

A noite chegou e desta vez a reunião era familiar. Tias e primos todos reunidos na “Pastelaria da Dani”, que resolveu fazer pastel em casa. E reunião de família é igual em qualquer lugar do mundo. As mulheres de um lado falando pelos cotovelos e os homens do outro comendo, bebendo e, neste caso, jogando um baralhinho. Terminada a reunião, me recolhi aos meus “aposentos” e, antes de cair no sono, dei uma olhada nas fotos que fiz durante o dia.

No dia seguinte, Woodstock me acordou às 7 horas. Foi bom porque o sol finalmente deu as caras e foi possível sair para fotografar um pouco mais antes de voltar ao mundo real. No café da manhã eu e o Evandro conversávamos sobre as vantagens de se morar em Tiradentes, uma ideia que sempre levei em consideração e que espero concretizar um dia.

Mas sempre chega a hora de ir embora. E a volta foi como de costume: longa e chata. A curiosidade da volta fica por conta do restaurantes da rede Graal de Perdões – MG na Fernão Dias (BR381) KM 674. Restaurantes estes que normalmente custam os “óleos” da cara. Pelo menos neste, eles dedicaram boa parte da loja às cidades históricas de Minas. Tem uma réplica do chafariz de São José, de Tiradentes e também uma espécie de museu onde cada sala é dedicada a uma cidade histórica, repletas de grandes fotos mostrando a quem estivesse de passagem por ali algumas das belezas de cada uma. Um belo trabalho.

SAIBA MAIS: Graal Perdões

Adoro Minas Gerais. Talvez porque, estando em Minas, tenho sempre a impressão de que a história está presente em todos os lugares. Talvez porque foi lá que aprendi a admirar a história, as artes, talvez porque seja lá que eu me sinta mais livre. Livre do tempo, livre dos medos das grandes cidades como São Paulo, Rio, etc, que nos desafia a cada dia. Talvez porque lá seja justamente o contrário. Um lugar onde o tempo parou, um lugar que acolhe a todos aqueles que ali chegam, seja em busca de trabalho, diversão ou pura e simplesmente descanso.

Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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