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Apagão de Consciência

Incredulidade!

Foi com essa sensação que recebi a notícia e vi as primeiras imagens da queda do avião da TAM a poucos metros da cabeceira da pista do aeroporto de Congonhas no dia 17/07. A TV mostrava ao vivo as imagens daquele show de horror e repercutia detalhes ainda sem confirmação.

Possibilidades e causas eram levantadas por especialistas de plantão. E era impossível não recorrer a clichês como "tragédia anunciada" para definir o que acabara de acontecer.

Tudo em vão...

Como em vão foi a morte de 154 pessoas há menos de um ano em circunstâncias ainda mais inacreditáveis. Tudo fruto do descaso e da ganância cada vez maior de políticos, de entidades chamadas regulamentadoras e das companhias aéreas que não dão a mínima para os seus passageiros. Passageiros que pagam caro por um bilhete comprado na maioria das vezes com muita antecedência e só embarcam quando e se a companhia quiser. Não vou me ater às vítimas deste voo ou seus familiares, cujo prejuízos são óbvios. Mas à falta de respeito a que os passageiros têm sido submetidos desde o acidente da GOL. Quantas consultas médicas importantes e marcadas com dificuldade foram perdidas, quantos negócios deixaram de ser fechados e quantas pessoas passaram o dia e a noite em aeroportos sem saber quando iriam embarcar, sem receberem qualquer atenção, assistência ou informação das companhias que remarcam ou cancelam voos ao seu bel prazer?

Entidades ditas regulamentadoras como a ANAC são coniventes com esse tipo de procedimento e, conforme foi apurado posteriormente, ainda fazia acordos com as companhias aéreas visando atender interesses de ambos os lados. Um paradoxo, já que, nem uma nem outra atende aos interesses dos passageiros, afinal, sem estes, não haveria companhias aéreas e muito menos entidades regulamentadoras.

Esta situação é, na verdade, o retrato de um país mergulhado em corrupção, representado por políticos que buscam apenas seus próprios interesses, que roubam o dinheiro daqueles que os elegem, que aprovam leis e medidas em benefício próprio, mas sobrecarregam cada vez mais o povo com impostos. Que são capazes de projetos como o fim do décimo terceiro salário de quem realmente trabalha, mas aprovam, quase sempre na calada da noite, aumentos constrangedores do próprio salário.

A verdade é que o Brasil todo está em pleno apagão.

A saúde pública está falida. Os hospitais estão sucateados em todo o país, muitos médicos estão trabalhando sem recursos para atender seus pacientes como deveriam. Com isso, muitos entraram em greve, agravando ainda mais uma situação que já é crítica e só quem precisa sabe.

A segurança pública está falida. Facções criminosas fazem acordos (não comprovados) com governos, trocando regalias por trégua na violência em época de eventos de grande porte como, por exemplo, o Pan Rio 2007. As pessoas estão sendo assassinadas covardemente nos semáforos, sem a menor chance de se defender e nem sequer tempo para soltar o cinto de segurança para sair do carro. Se estão à pé, são alvejadas por balas perdidas e se transformam em nada mais do que estatísticas de vítimas da guerra do tráfico de drogas.

O transporte público está falido. Caos aéreo. Ônibus superlotados. Vans conduzidas por motoristas sem treinamento, sem responsabilidade e sem respeito aos passageiros. O Metrô com suas constantes operações padrão e ameaças de paralisação tendo como reivindicação participação nos lucros de um ano que está apenas na metade. Os trens de subúrbios estão sucateados. Os passageiros são obrigados a viajar com marginais e convivem com o livre consumo de drogas dentro dos trens. Chegamos à 2007 e não temos sequer a perspectiva de um trem de alta velocidade ligando os principais centros do país, reduzindo custos e acidentes nas estradas e desafogando os aeroportos em trechos mais curtos como São Paulo/Rio - São Paulo/Curitiba - Rio/Belo Horizonte - Rio/Brasília e etc.

A infraestrutura de transporte está falida. Estradas em péssimo estado de conservação encarecendo o frete e, consequentemente, aumentando o preço e o tempo de transporte dos produtos. A malha ferroviária do país está sucateada e foi abandonada. Nunca houve investimentos de manutenção e expansão da malha para diminuir o custo e o tempo de transporte de produtos desafogando as estradas, reduzindo o número de acidentes em que, na maioria absoluta dos casos, há um caminhão envolvido.

A previdência está falida. Desde sempre ouço falar do rombo da previdência e que, por isso, não é possível dar salários dignos aos aposentados. Então dificulta-se a aposentadoria daqueles que realmente precisam por problemas de saúde. Mas convive-se com aposentados fantasmas e com os advogados que facilitam o processo de aposentadoria de quem não deveria receber, em troca alguns meses de benefício do aposentado.

O sistema penitenciário está falido. Um sistema que não reabilita ninguém, presídios superlotados, entrada permanente de aparelhos celulares que permitem, além da administração das facções de dentro para fora, também a aplicação de golpes de falsos sequestros em troca de números de cartões de telefones pré-pagos. Carcereiros corrompidos, alguns por medo de retaliação e outros por serem corruptos mesmo.

O sistema de educação está falido e corrompido. Professores têm baixos salários e péssimas condições de trabalho. As escolas carecem de material básico como papel para a impressão das provas sendo necessário, em alguns casos, a contribuição dos pais para a aquisição de papel para impressão de provas, como divulgado recentemente. Como se isso não fosse o bastante, o sistema ainda é usado para doutrinação político-partidária, com o claro objetivo de transformar alunos em militantes.

A política brasileira está desacreditada. Toda hora surge um novo escândalo. Mensalão, Correios, Sanguessugas. De ministros ao presidente do senado, todos envolvidos em corrupção e esquemas com lobistas. E pior. Absolvidos em sessões secretas, com votos secretos, tudo um claro jogo de interesses entre governo, oposição e partidos políticos. 

Embora seja justo dizer que, grande parte da responsabilidade disso tudo que está aí é nossa. Sua e minha. Uma vez que somos nós que elegemos essas pessoas. Somos nós que temos nosso voto comprado por qualquer trocado. Somos nós que nos deixamos levar pelas mesmas promessas vazias de sempre e somos nós que, mesmo tendo informação disponível nos mais variados formatos, ainda elegemos, reelegemos e continuaremos elegendo corruptos.

Já os membros do executivo, legislativo e judiciário, esses vão muito bem, obrigado! Para estes, o país é uma maravilha! Desfrutam de todo tipo de regalia e extravagância. É fundo partidário, verbas de gabinete, verbas indenizatórias, auxílio moradia, previdência social especial, pensão vitalícia, entre outros penduricalhos devidamente disfarçados atrás de algum nome bonito. Sem contar carros oficiais, assessores oficiais, seguranças oficiais, comidas oficiais e etc.

Precisamos abrir os olhos. Estatísticas mostram que o Brasileiro está trabalhando praticamente quatro meses por ano apenas para pagar impostos. Impostos esses, que deveriam nos garantir serviços públicos de qualidade, mas que não atendem a quesitos mínimos de satisfação de quem os usa e que obriga o brasileiro a ter que pagar novamente se quiser ter serviços melhores. Por exemplo, se o trabalhador quiser um transporte coletivo de qualidade é obrigado a pagar por um ônibus fretado, se quiser ter um atendimento digno num hospital é obrigado a pagar por um plano de saúde, se quiser um ensino de qualidade é obrigado a pagar por uma escola particular, algumas pessoas optam também por uma previdência privada visando garantir uma aposentadoria mais digna, podemos incluir ainda os mais variados tipos de seguros contra roubo e furto porque não temos uma segurança pública eficiente.

E é assim que o superávit primário do nosso país todo ano bate recorde. A economia se mantém estável impondo taxas de juros altíssimas, talvez as mais altas do mundo tendo como justificativa o controle da inflação. O risco país nunca foi tão baixo e o povo nunca foi tão passivo, descrente e anestesiado com tudo que lhes é imposto, com o perdão do trocadilho.

Em dias lamentáveis como esse, o brasileiro, além de se comover com a tragédia alheia, deveria aproveitar para pensar em até quando, tendo o poder de escolha nas mãos, vai se submeter a esse tipo de representantes. Este mesmo povo que, cada vez que começa um reality show qualquer, sabe exatamente as qualidades e defeitos de cada um dos participantes e tem argumentos de sobra para eliminá-los ou absolvê-los, poderia usar esses mesmos poderes na hora de escolher seus representantes que são os que, de fato, podem influir em sua vida. Basta não se esquecer de determinados nomes e não permitir ter o voto comprado a preço de esmolas pelos políticos, mas exigir empregos decentes, que sejam frutos do desenvolvimento e de um crescimento do país como um todo.

Em dias lamentáveis como esse, o brasileiro deveria ficar de luto pelas vítimas de um acidente estúpido mas também por um país que tem tudo para ser uma grande nação, mas que tem um povo que pensa pequeno.

Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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