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Saudades


Em um outro texto, publicado em Dezembro de 2011, escrevi sobre fatos acontecidos em Abril do mesmo ano.

Um desses fatos acabou trazendo consequências desagradáveis sobre a minha vida. Consequências que, desde então, mudaram o meu cotidiano, e me trouxeram alguns conflitos internos, além de questões pessoais que têm extraído, senão toda, boa parte da energia que eu deveria destinar a tantas outras coisas, incluindo esse nobre exercício de escrever.

É quase como fotografar. Para mim, fotografar é uma forma de escrever, de compor e de narrar através de imagens. São atividades que dependem e sofrem influências diretas do mesmo princípio básico: A visão de si mesmo e do mundo ao redor. Acredito que isto que define o olhar com qual se escreve e/ou se fotografa.

Neste contexto, entre as minhas pequenas e amadoras atividades, talvez apenas a música esteja preservada. Pelo menos não me sinto influenciado por estas questões todas enquanto toco o instrumento que escolhi ainda criança e que nunca pude me dedicar tanto quanto gostaria, mas que me traz algumas das únicas certezas que carrego comigo neste momento.

Mas o que me motiva a escrever hoje, não são as viagens ou a História, como já cansei de mencionar em outros textos. Vai além disso. Escrevo para tentar traduzir e, quem sabe, entender um pouco melhor os pensamentos que tem consumido quase todas as minhas energias e distorcido minha visão a respeito de tantas coisas. Pensamentos que me submergiram em um mar de águas turvas, alteraram minha percepção sobre a vida e, claro, estão influenciando a frequência e o modo como escrevo e também o olhar com o qual me acostumei a fotografar.

Para quem lê, este texto poderá dizer muito sobre mim e, ao mesmo tempo, poderá não dizer absolutamente nada. Não importa, é apenas uma forma de organizar ideias e pensamentos como já fiz em outras oportunidades. Algo como um desabafo. Algo que é muito mais fácil de fazer escrevendo do que falando.

Nesse sentido, para tentar entender um pouco todos esses pensamentos, resolvi que preciso de uma palavra como ponto de partida. Uma única palavra. E não foi difícil encontrá-la: Saudades!

Saudades de algo que não sei dizer exatamente o que é. Talvez de alguém que eu já não sou mais ou, para ser mais específico, de características que eu tinha e que não vejo mais se manifestar. Talvez de uma certa independência, uma certa liberdade, um poder de decisão ou mesmo um certo tipo de controle que há tempos não consigo exercer.

Saudades da estrada. De rodar despreocupado por estradas em que nunca andei e desvendar pequenas cidades cujo nome, muitas vezes, é maior que a própria cidade. Saudades da hospitalidade e da paz que estes locais oferecem. Saudades do entardecer alaranjado de inverno em cidadezinhas assim, hipnotizado pela paisagem e pelo cheiro forte de café, sem me importar com o frio ou com o nariz gelado.

Saudades de aprender com a simpatia e a simplicidade no sorriso de quem vive nesses lugares que me fazem perceber como é tão mais fácil viver feliz SENDO do que TENDO.

Porque TER é muito mais complicado. TER é provisório e passageiro. TER dura e satisfaz apenas e tão somente durante o tempo em que for novidade. TER depende de muitas variáveis como O QUE se quer ter, O QUANTO se quer ter e, principalmente PARA QUEM se quer mostrar. Já que, para muitos, só faz sentido TER quando se tem para QUEM mostrar.

SER é bem mais simples. E pode ser permanente porque independe das circunstâncias, dos modismos e das aparências. Depende apenas do indivíduo, basta que ele SEJA. Saudades de SER um pouco mais. Não que eu tenha priorizado o TER. Pelo contrário. Mas gostaria de SER ainda mais porque, em dias como esses, percebo como é cada vez maior o desafio de SER.

E, finalmente, saudades de um futuro idealizado, de algo que se espera muito e com paciência, mas que não se sabe se acontecerá. Como se fosse uma vontade de resgatar algo que não sei o que é e nem onde perdi...

Mas a saudade também é feita de lembranças. E entre tantas que a gente guarda, é importante lembrar também do que nunca faltou. Das vezes que pensei que fosse morrer. E não morri. De quando eu achei que não fosse conseguir. Mas consegui. Das vezes eu disse: Não vai dar. E deu! Porque lembrar dessas coisas é lembrar do que pode trazer esperança. E, quem sabe, no dia em que a esperança for maior que a saudade, estaremos mais próximos de alcançar aquilo que tanto desejamos.

Este é um texto sobre SER e não sobre TER.

Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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