Em 2015, finalmente tirei do papel o projeto de um livro de fotografias, que habitou o meu imaginário durante muito tempo.
"Heavenly Ride", foi um trabalho fotográfico conceitual que teve como base algumas das paisagens mais bonitas que tive a oportunidade de fotografar até aquele ano e cujos detalhes podem ser encontrados AQUI.
Foi uma experiência tão rica que, produzir um novo trabalho fotográfico no mesmo estilo, é uma vontade que está sempre latente nas volutas dos meus pensamentos.
Infelizmente, receio que ainda não tenha chegado o momento. Talvez eu até tenha fotos para tal. O que ainda não tenho é um conceito claro na minha cabeça. E não me interessa fazer apenas um álbum de fotografias. Me interessa antes a narrativa que endossa o conceito e as imagens que o tornarão um pouco mais palpável.
Nesse sentido, comecei 2019 pensando em um novo trabalho. Mas se ainda não era momento para fotografias, o que poderia ser ? E nenhuma ideia interessante surgiu até Abril, quando, sem a menor intenção, simplesmente aconteceu.
Apático, eu revisava meus arquivos pessoais e tentava organizar melhor os textos que escrevi ao longo dos anos. Foi quando percebi que eu tinha quase vinte anos de textos escritos em diferentes momentos, com diferentes temáticas e numa quantidade bem interessante.
“E fez-se a luz”. Havia material suficiente para iniciar meu novo projeto. Finalmente!
Reunir num documento histórico e pessoal, todos os textos que escrevi entre 2000 e 2019, com a intenção de que eventualmente, se transformassem em canções compostas pelas bandas das quais fiz e faço parte ainda hoje.
Eu bem que resisto, mas creio que não há outra forma de chamar esse material a não ser de "poemas".
Antes de continuar, acho importante pontuar um detalhe: Não produzi "Heavenly Ride" porque me considero um fotógrafo. Da mesma forma, também não me lancei neste trabalho porque que me considero um poeta, escritor ou coisa do tipo.
Meu maior interesse ao executar trabalhos como estes é registrar memórias. Este é o principal e verdadeiro motivo da existência, tanto do blog, quanto deste e de outros livros que eu porventura venha a escrever.
O tempo passa rápido demais e a gente sempre se recorda de ter feito coisas das quais há poucos ou nenhum registro para relembrar os detalhes. É disso que quero fugir.
Se hoje os meios para publicação e impressão de livros sob demanda se tornaram bastante acessíveis, por que não fazer uso desta facilidade e conferir uma qualidade maior a estes registros ??
Além disso, nada como ter o próprio livro na estante de casa. E, por que não tê-lo também disponível para venda online nas versões impressas e e-book, caso alguém queira uma cópia ? Só vejo vantagens.
Terminada a observação, vamos então aos detalhes de "O Átrio dos Sonhos Sem Fim".
Se tem algo que aprendi durante este processo é que escrever um livro não é algo que se possa chamar de trivial. Pelo menos para mim, não é.
Além do conteúdo principal, que já pode dar bastante trabalho, há vários outros detalhes a serem pensados como: diagramação, tipo e tamanho de fonte, capa, contracapa e orelhas. Sem falar num prefácio que consiga transmitir com clareza qual o motivo/objetivo daquele livro e o principal: O NOME.
O conteúdo principal eu percebi que teria quando, sem procurar muito, encontrei perto de quarenta destes poemas/letras. E não demorou muito para que o primeiro problema aparecesse. Quando olhei com um pouco mais de atenção para aquela relação de textos, já devidamente separados, percebi que faltava muita coisa ali. Uns 15 deles pelo menos. Especialmente da primeira geração (entre 2000 e 2004).
Começou aí uma inquietação e um processo quase arqueológico em busca dos textos que eu sabia que tinha escrito mas não sabia onde estavam.
Depois de revisar os computadores que utilizo com mais frequência e não encontrar mais nada, passei a procurar em todos os dispositivos externos possíveis. Pen-drives, HDs externos, cartões de memória, enfim. Tudo em vão. Nada novo (velho, na verdade) surgiu dessa busca.
No passado eu já havia perdido dados pessoais em, pelo menos, dois HDs defeituosos. Era bem provável que meus textos faltantes estivessem em algum deles ou nos dois (que seriam as cópias de segurança). As esperanças minguaram, mas não morreram. Ainda me restavam duas possibilidades. Não me pareciam muito promissoras, é verdade. Mas é melhor que nada. Logo eu saberia como estava enganado.
Primeira opção: Procurar nas bugigangas da época.
Lembrei que costumávamos imprimir esses textos para os ensaios. Quem sabe algo impresso pudesse ter sobrevivido aos últimos 15 anos? A providência estava a meu favor e qual não foi a minha surpresa ao encontrar uma pasta repleta de impressos da época e em perfeito estado de conservação? A descoberta me deixou bastante contente e me debrucei sobre aquele material como um arqueólogo que encontra um pergaminho de 5000 anos, num sarcófago recém descoberto, em alguma das pirâmides do Egito.
O sucesso da busca foi muito além do esperado e me deixou bastante animado. Afinal, encontrei muita coisa lá. O que já me levaria fácil para a casa dos cinquenta textos.
Aprofundando a análise daqueles papéis eu percebi que muita coisa estava sem data (o que convenhamos, diante das circunstâncias, não era um problema tão grande assim) mas era importante para a ordem cronológica e para a história implícita que eu queria contar. Mas este era um problema a ser contornado depois porque eu ainda sentia falta de um texto do qual eu me lembrava apenas do nome: O Beijo de Judas.
Mas ainda me restava a segunda (e última) opção: Meus velhos amigos de banda.
Além de imprimir nossas composições para os ensaios, também compartilhávamos muita coisa por e-mail, ou seja, havia uma esperança de que eles ainda pudessem ter algo em seus arquivos pessoais.
E mais uma vez a providência estava ao leu lado e minha busca me trouxe resultados ainda mais inesperados.
Daniel Trevisan, o mesmo que toca comigo hoje, na Badminton Café, tinha guardado entre seus arquivos de parcerias, vinte e sete dos meus textos. Entre eles, o único que eu ainda sentia falta e mais seis que eu sequer lembrava de ter escrito. Como se isso já não fosse mais do que suficiente, os arquivos dele ainda continham as datas que faltavam nos meus. E, assim, todo um trabalho de quase vinte anos estava completo. Com toda a sua cronologia e evolução, seu amadorismo e, até mesmo, ingenuidade, preservados.
Finalmente eu poderia me concentrar na revisão e organização dos textos livre de qualquer frustração ou medo de começar um projeto que (ao menos na minha cabeça) já nasceria incompleto.
Escrever e revisar por conta própria é o que se pode chamar de Processo Infinito. Não importa quantas vezes você lê e relê os textos há sempre algo que você quer mudar. Mas chega um momento que é necessário concentrar-se apenas nos erros gramaticais e/ou de digitação, caso contrário o processo nunca termina. Até acredito que o correto teria sido enviar o material para um terceiro revisar mas foi uma opção minha fazer tudo sozinho mesmo.
Depois de revisar todos os cinquenta e três textos, passei para o próximo item da minha sequência: a diagramação, tipo e tamanho de fonte, cabeçalho, rodapé e etc. Como este item não trata de conteúdo propriamente dito, procurei não inventar e nem perder muito tempo com isso. Simplesmente pesquisei quais as práticas de mercado mais comuns e apliquei. Como veremos a seguir, havia outros itens mais importantes aos quais eu deveria dedicar mais tempo e criatividade.
Tudo estava indo muito bem, mas e o nome ? Que nome eu daria ao livro ? Uma das tarefas mais difíceis para mim é definir nome, para o que quer que seja. Creio que, de alguma forma, um nome precisa ter identificação com seu dono. No caso de um livro, deve estar diretamente ligado ao seu conteúdo.
Mas decidi que o nome deveria ser uma referência direta à algum dos poemas apresentados e, sendo assim, nem precisei pensar muito, eu já sabia exatamente qual seria. "O ÁTRIO DOS SONHOS SEM FIM". Que se trata de um verso (o último) de um dos poemas apresentados nesta coletânea.
Gosto da palavra “átrio”. Sempre me pareceu bonita e sonora. Não apenas por ser, na sua origem, o principal aposento dos primeiros templos romanos ou a antessala da nave das igrejas, mas por ser também uma importante estrutura do coração que, ao final, é de onde os sonhos vêm, ainda que metaforicamente.
Meu próximo item: Prefácio e Capítulos. Julguei importante introduzir o contexto em que todos aqueles poemas foram escritos fazendo um breve resumo da história que estou detalhando nestas linhas. Assim como os dois momentos distintos em que surgiram estes textos. São informações que, de certa forma, justificam todo o amadorismo e ingenuidade que permeiam vários daqueles textos e dão base para um hipotético leitor compreender um pouco melhor o trabalho como um todo.
Por último, mas não menos importante: Capa, contra-capa e orelhas.
Talvez a tarefa mais difícil deste trabalho. Minha primeira versão de capa foi uma tentativa frustrada. Não parecia tão ruim na tela do computador mas, quando recebi a primeira versão impressa do livro, simplesmente detestei. Havia problemas nas dimensões da fonte do título e também nas margens de segurança das dobras da capa.
Sem pensar duas vezes, reiniciei a tarefa. Busquei um visual mais uniforme e mais sóbrio e que, mesmo de maneira sutil, remetesse ao título do livro. O resultado, no segundo teste de impressão, foi bem mais satisfatório.
No caso da contracapa, fiz apenas pequenos ajustes para adequação novo visual mas mantive o conceito inicial.
Orelhas: À princípio, as orelhas, seriam apenas reproduções da imagem da capa mas, depois do segundo teste de impressão, percebi que seria um desperdício deixar aquele espaço sem algum tipo de conteúdo. E foi pensando nisso que decidi oferecer o espaço das orelhas a dois amigos que foram (e são) parceiros ainda hoje, com os quais eu compartilhei quase todos os meus textos, especialmente os da primeira fase (2000 e 2004). Foi a forma que encontrei de homenagear estes dois caras que, em algum momento, deixaram de lado seus interesses pessoais e dedicaram seu tempo, atenção e talento para "musicar" vários daqueles versos. Será uma honra ter seus depoimentos e seus nomes neste livro. Esperei a resposta durante muito tempo mas eles simplesmente ignoraram meu pedido/homenagem...
De qualquer forma, o livro está disponível na UICLAP, que é um site que permite à qualquer um colocar um livro à venda no formato e-book ou impresso sob demanda.
Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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