Tem dias em que o silêncio da casa parece mais barulhento que qualquer vizinho.
O rangido de certas portas, o apito do micro-ondas que a gente (ou apenas eu) sempre tenta evitar, interrompendo no último segundo, os lembretes e alarmes diários ecoando no celular e na Alexa, o ruído irritante de uma moto lá fora, o latido do cachorro no quintal... tudo soa exagerado, como se o mundo estivesse tentando me mostrar que há um vazio ecoando e amplificando tudo entre as paredes ou talvez apenas dentro de mim.
É uma quinta-feira qualquer. A manhã passou devagar, como se o tempo tivesse perdido a noção de si mesmo. Entre um e-mail respondido e outro, lembrei do café que tinha feito. E a xícara, esquecida sobre a mesa, me observava com um olhar bastante familiar. Aquele olhar mudo, desses que só reconhecem aqueles que também sabem que já esperaram demais.
Mas a pergunta que fica é: a gente sente falta das pessoas ou apenas da rotina que elas trazem consigo?
Talvez seja o papinho de corredor, as piadinhas bestas no estilo quinta série, o toque das notificações no celular ou apenas o movimento ligeiro das horas quando a agenda parece mais cheia. Hoje, o relógio anda devagar e nada mais parece andar com ele.
E cá estou eu novamente de volta a este lugar, lembrando que o que me faz falta não são os outros, mas eu mesmo em tempos mais leves. O eu que contava as horas pro fim de semana, o eu que sabia que o simples era suficiente, o eu que não tinha o sorriso interrompido pela lembrança dos problemas da vida.
Há momentos (como esse), em que a gente se perde e não é pelo vazio ou pelo silêncio. Mas pelo medo de que o futuro que se apresenta seja pesado demais.
A vida passa e a gente muda. Assim como o meu café que, além de amargo, agora também vai ficando cada vez mais frio.
Vai ver que é essa a lição que insistimos em não aprender: talvez o problema não seja o café, mas sim o tempo que demoramos para saboreá-lo enquanto ainda está quente.
Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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