Foi pretendida, triunfo da paciência
“A Casa das Paredes Felizes” é sobre o significado de lar. Por vários motivos, há quem se mude com frequência. Nesse sentido, para muitos, uma casa pode significar apenas um teto temporário. Para outros, talvez a maioria, uma casa própria pode ser a principal conquista da vida. Tornando-se no lugar onde o coração se sente acolhido e seguro, transcendendo sua estrutura física para dimensões emocionais e simbólicas que a transformam em um verdadeiro lar.
Vivências, histórias e experiências vividas deixam marcas nas paredes e nos corações, justificando assim certos “porquês”. Quem já visitou uma casa vazia pela primeira vez sabe que, sem essas memórias, uma casa não é um lar, mas apenas paredes brancas e concreto.
A ideia de que uma “casa sem histórias é um projeto”, sugere que a verdadeira essência de um lar vai além da arquitetura e decoração. O que faz de uma casa qualquer um verdadeiro lar, é mais que um projeto. É uma jornada que, entre a escolha ou projeto até a aquisição ou construção, passa por merecimento, paciência, competência e até mesmo algum grau de intervenção divina que, finalmente, legitima a recompensa. É claro que também há os que passam por cima disso tudo e usam apenas o oportunismo, o cinismo e meias verdades para desfrutar das grandes conquistas alheias, mas esse texto não é sobre eles.
Por falar em grandes conquistas, um legitimo lar também pode ser alvo de inveja e sentimentos negativos. São desafios externos que nem mesmo a distância pode evitar. E a dualidade entre os “mares que vêm para bem” e o “rancor que os vê com desdém” reflete a natureza contrastante da vida e das relações humanas.
A praia do quintal faz referência à quem um dia já deixou rastros naquelas areias. Rastros apagados pelas ondas da inevitabilidade e da fragilidade da vida. São estas as esponjas que esvaecem o futuro e nos lembram a cada dia sobre a transitoriedade e as incertezas que o futuro reserva a cada um.
É justamente essa transitoriedade, algumas vezes frutos de planejamento, outras, motivo de força maior, que garante que ciclos comecem e terminem e que validam o conceito de lar apresentado aqui. Uma casa precisa de alma e vida. Por isso, certas ausências podem fazer com que lares sejam reduzidas novamente a paredes brancas. E não são raras as vezes que, por uma questão de sobrevivência emocional, seja necessário construir (no mais amplo sentido) um novo lar, dar início à um novo ciclo, com novos significados, novas memórias e novas emoções.
Ontem, as alegrias, as aflições, as vitórias e, principalmente, a presença marcante de alguém insubstituível fizeram daquela estrutura um lar. Depois, uma ausência sentida e permanente, passou a avançar para desfazer o que era um lar e transformá-lo num cenotáfio. Este é o alarme que indica a hora de seguir em frente para transformá-lo novamente num lar. Mas isto só é possível quando nos afastamos para dar a alguém, cuja assinatura tenha valor suficiente, o direito de escrever ali uma nova história e fazer dela novamente um lar.
Que sejam felizes e encontrem ali o seu lar, como um dia também já foi para nós.
Quanto a nós, que possamos aprender cedo o que é verdadeiramente nossa casa e o valor de estar em casa, porque certamente chegará o dia em que não poderemos mais voltar para casa. Seja por uma impossibilidade pessoal, seja porque nao a possuímos mais, seja pelo simples fato de que as pessoas que faziam dela a nossa casa, não estarem mais lá.
Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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