Pontos cegos da vida é uma jornada por algumas das experiências da vida, destacando a ingenuidade e a decepção. Há uma progressão de confiança cega para uma compreensão mais sombria das armadilhas e traições escondidas nas relações. O título por si só já carrega a presença de enganos e decepções.
A relação entre o coração aberto e os olhos fechados representam, em primeira instância, inocência e a ideia de uma confiança cega. Há ainda a constatação de que este tipo de confiança é a que mais nos deixa vulneráveis ao pior tipo de traição: Aquela que acontece da parte de quem menos se espera, como um fantasma dentro do armário ou como descobrir que você mesmo entregou as chaves de casa ao ladrão.
Há um estado de resignação implícito que sugere que a vida continua apesar dos sofrimentos, das injustiças e das adversidades. No fim do dia, o sol sempre se põe e, talvez, a única forma de seguir em frente e lidar com a dor e a decepção, seja enterrar os fatos e esquecer.
O “talvez” é verdadeiro porque a escolha que se apresenta diante de nós em situações como esta é: recuar, ainda que com o espirito quebrado, para se reorganizar e buscar a justiça legal (ou divina). Seja como for, ela certamente tardará. Ou avançar para fazer justiça com as próprias mãos e encarar as consequências imprevisíveis das atitudes impensadas. Essa é uma escolha difícil, pois significa escolher entre a segurança e o risco da perdição, entre a resiliência e a valentia e entre a vida e a morte. Seja a morte física ou a morte dos princípios e do caráter.
A traição e a maldade se apresentam como uma força maligna que se alimenta de mentiras e falsidade. Assim como a perfídia, que se esconde por trás de palavras bonitas. Enquanto a água do “poço de argumentos imundos do capeta” representa influências externas enganosas. E, sobre o tempo, resta apenas a raiva pelo que se abateu, a apreensão pelo porvir e a decepção com os valores contemporâneos como a ganância, a falta de ética e de consciência.
Apesar da sensação de tristeza e melancolia, permanece ainda uma ponta de esperança pois, mesmo diante das adversidades, a única opção continua sendo seguir em frente. É uma visão sombria, mas realista, da complexidade das relações humanas e das escolhas morais.
O uso de uma linguagem mais rebuscada torna o poema menos acessível, porém mais realista. Assim como o uso de metáforas e comparações, que ajudam a criar imagens fortes e expressivas. O último verso é uma referência à canção “It’s All Over Now, Baby Blue” de Bob Dylan, e também à cor azul.
Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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