O ano de 2024 começou com o Vulgo Fred reunido, com objetivos bem definidos, trabalhando em novas composições, buscando preservar as boas amizades, valorizando as relações duradouras e colando tudo isso com muita música, que sempre foi sua principal vocação.
Durante o mês de Fevereiro de 2024, surgiu novamente o assunto do material gravado em 2002, nos tempos de Emphatia. Material esse que nunca foi lançado em lugar nenhum.
Tratam-se de 14 canções. Um álbum inteiro. Mas o problema é que, sempre que esse assunto voltava, trazia junto uma certa insatisfação, um desejo de refazer algumas coisas e remixar outras. Afinal, na época dessa gravação, eramos totalmente inexperientes e com pouco dinheiro disponível para investir em horas e horas de estúdio.
Com o passar do tempo e com o conhecimento e experiência adquiridos, percebemos que muita coisa ali poderia ter sido mais bem executada, gravada e/ou mixada. Sabemos também que, hoje em dia, podemos corrigir ou refazer praticamente tudo em casa e com custo quase zero. Considerando, claro, que temos o conhecimento, tempo, recursos e disposição necessários para a tarefa.
E foi com tudo isso em mente que decidimos resgatar esse material, executar as correções, e publicá-lo nos serviços de streaming para cumprir sua função enquanto música e arte, ou seja, estar disponível para apreciação. Este trabalho é anterior à entrada de Daniel Trevisan na banda mas, decidimos que, se vamos trabalhar juntos nas correções, acertos e, quem sabe, até no enriquecimento artístico dessas canções, devemos limar o nome Emphatia e lançar como Vulgo Fred para unificar de vez essa história toda.
Mas, para que tudo isso desse certo, precisaríamos de 3 milagres:
Milagre #1 – Digitalização de todo o material gravado em canais independentes. Essa gravação foi feita no começo dos anos 2000, em fitas ADAT de oito canais. Sendo assim, a cada dia que passa, fica mais difícil digitalizar esses áudios, uma vez que, com o avanço da tecnologia, já não é tão fácil encontrar estes gravadores funcionando hoje em dia.
Milagre #2 – O estado de conservação das fitas. Depois de 20 anos guardadas, não sabíamos como estaria a condição das fitas e da gravação propriamente dita.
Milagre #3 – Se as fitas estiverem ok, torcer para que os gravadores estejam funcionando bem de forma que todos os canais possam ser digitalizados sem problemas.

Como esse assunto não é novo, há algum tempo eu havia tentado encontrar alguém que pudesse fazer essa digitalização, mas sem sucesso.
Desta vez, até cheguei a procurar um pouco, mas acabei tendo a ideia mais óbvia possível: Por que não ligar no estúdio em que fizemos a gravação para saber se eles ainda dispunham dos gravadores? Liguei. E eles tinham! Os mesmos gravadores, aliás. Até hoje não entendo porque não procuramos primeiro lá. Na verdade, entendo sim. Eu achava que, por ser uma tecnologia meio ultrapassada, só encontraria esse tipo de serviço em empresas especializadas. Enfim … Milagre #1 – OK.
Minha ida ao estúdio ocorreu no dia 20/03/24. Dia de apreensão e ansiedade para saber de uma vez por todas se seria possível digitalizar nosso trabalho de 22 anos atrás. O Moving Sound Studio, hoje renomeado para Benes Classic, continua no mesmo endereço e com uma ambiência muito parecida com a da época em que gravamos. Meu xará, Fabio Benes, o mesmo que gravou a gente e com quem eu vinha falando sobre a digitalização, me atendeu e tratou de ir direto ao assunto: as fitas. Afinal, se tudo desse certo, o processo seria um pouco demorado.
Aparentemente, no visual, as fitas estavam impecáveis. Restava saber se internamente não havia ressecado, embolorado, colado ou algo do tipo.
Dos três gravadores que ele tem no estúdio, apenas dois estavam funcionando, pelo menos era o que ele pensava. Logo saberíamos que não era bem assim. A primeira fita foi colocada. Enquanto ele operava o equipamento (que lembra muito um vídeo cassete), eu ficava de olho no display, esperando ver o contador em minutos e segundos rodando, indicando reprodução.
Ameaçou rodar: Erro.
Rebobinar: Erro.
Ejetar, erro.
Engoli seco e pensei: Ferrou! A fita 1 não rodava e nem saía do aparelho. Susto e apreensão.
Enquanto Benes pensava na solução para a fita 1, colocamos a fita 2 no segundo gravador.
Sucesso. Rodou, rebobinou e reconheceu os canais.
Digitalização da fita dois iniciada com sucesso.
Voltamos à fita 1. Foi preciso abrir o gravador para entender melhor o que havia acontecido. A fita não havia enroscado. Parecia algum problema com o mecanismo do gravador, que não tinha força para rodar e nem ejetar a fita. Algum tempo e uma série de tentativas depois, a fita finalmente saiu. Nesse meio tempo, a digitalização da fita 2 havia acabado. E já tínhamos iniciado o mesmo processo com a fita 3, mas descobrimos que não havia nada nela. Provavelmente, quando fechamos a gravação, eles pediram três fitas, mas acabamos usando apenas duas.
Colocamos a fita 1 no gravador onde a outras duas fitas haviam rodado normalmente e: sucesso. Canais reconhecidos e processo iniciado. Só restava aguardar a digitalização finalizar. Milagre #2 – Gravadores funcionando e fitas OK!
Digitalização à parte, foi muito legal voltar ao estúdio dos Benes vinte e dois anos depois. O Fábio, meu xará e responsável pelo estúdio atualmente, continua o mesmo cara legal de quando o conhecemos. O sr. Nelson (Benes pai) está bem e passou um tempinho com a gente lá no estúdio. Um tremendo contador de histórias.
E assim passaram quatro horas e meia de muita conversa, histórias e um tantinho assim de nostalgia. O trabalho que fizemos rolando nos monitores HI-FI do estúdio parecem soar diferentes do que eu estava acostumado a ouvir em casa, no carro, etc. Parecia mais encorpado e definido. Falei do som do violão de 12 cordas que usamos lá em 2002 e ele imediatamente se levantou e me disse que ainda tinha aquele violão. Segundos depois ele abre um case e lá estava ele. Parecia novo em folha. Havia acabado de chegar do luthier. Não sei se mencionei antes, Fabio Benes forma uma dupla sertaneja com seu irmão Flávio, fazendo shows pelo Brasil afora.

Enquanto o processo rolava, Fabio me mostrou como eles utilizavam o VS nos shows, cantou, mostrou materiais de novos artistas que eles estão produzindo lá, incluindo vídeo clipes e contou mais histórias.
Foi um tempo muito legal esse que passei ali no Benes Classic. Uma pena que mais ninguém da banda estava. Por isso vale a pena esse registro, para que possam ter uma ideia de como foi essa curta viagem de volta a 2002.
Digitalização finalizada. Arquivos revisados e consolidados. Milagre #3 – OK
Com a digitalização do material da Emphatia, resolvemos dedicar 2024 aos acertos necessários para finalizar de uma vez por todas esse trabalho e imortalizar este disco como o primeiro trabalho do Vulgo Fred.
O próximo passo é analisar os áudios isolados de 16 canais (12 Gigas, mais ou menos) de gravações para saber o que será possível aproveitar e o que será necessário refazer. De antemão, já tínhamos resolvido que, se tudo desse certo, refaríamos todas as baterias e todas as vozes.
Esta gravação foi feita sem metrônomo (éramos inexperientes, já disse) e, como esperado, há alterações no andamento e partes mal executadas. Enfim, vou refazer tudo. Com o amadurecimento, Léo Lopes também preferiu refazer suas partes. Guitarras, baixos e violões serão reavaliados música a música. Na realidade, eliminando os canais de bateria e vozes, devem sobrar uns cinco ou seis canais apenas para avaliar.
Os trabalhos continuam e em breve teremos novidades nos serviços de streaming. Enquanto isso, fiquem ligados na pagina da banda no Spotify.
Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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