Total de visualizações de página

Comments

Header Ads

Apenas mais uma reflexão.


Hoje, 12 de março de 2025, acordei com uma pergunta que não me largou: será que a humanidade está regredindo ou é só a minha visão turva e um tanto pessimista, falando mais alto?

Não me refiro à ciência e tecnologia — essas seguem avançando, quase como se tivessem vida própria. Falo de nós, do que nos torna humanos: convivência, tolerância, respeito, o mínimo que a gente espera de uma espécie "evoluída" ou "em evolução".

Não é uma sensação nova. Já escrevi sobre isso em 2015 (Clique aqui para ler). De lá pra cá, quanto mais penso nisso, mais sinto que em algum momento desses últimos 10 anos, chegamos ao nosso ápice como espécie. Ou seja, já somos (ou fomos) o melhor que poderíamos ser. Está se tornando cada vez mais difícil ignorar os sinais de que a humanidade não está progredindo como deveria. Mas o pior é que eu sinto que essa curva evolucional não tende a estabilizar, pelo contrário. Guerras por ideologia e religião, crimes fúteis e o desprezo crescente pelo pensamento coletivo são sintomas claros de retrocesso. É crescente a sensação de que, à medida que nos tornamos mais eficientes tecnologicamente, o ser humano, em suas mais diversas áreas de comportamento, tem dado cada vez mais vazão aos seus instintos mais primitivos, empurrando todos os seus limites e se entregando à todo tipo de deturpação e degradação. Um verdadeiro paradoxo do nosso tempo.

Talvez seja isso que dê a sensação de que já estamos entrando numa curva descendente: Involução. Um termo que pode ser aplicado a diferentes realidades. Por definição, tudo aquilo que apresenta uma deterioração gradual, um desgaste ou um retrocesso sofre uma involução.

Enquanto pensava nisso, aproveitei que estava almoçando sozinho e puxei assunto com uma IA. Dessas que conversam com a gente com uma naturalidade espantosa e joguei essa ideia pra ela. Eu não estava atrás de respostas prontas, estava apenas buscando uma visão mais ampla sobre o assunto. Olhar um pouco fora da pequena bolha em que vivo. E o que saiu dessa "conversa" foi um mergulho em algo que me incomoda há tempos: as pessoas parecem cada vez menos capazes de respeitar as mais simples regras de convivência. O individualismo exacerbado se tornou uma praga. No trânsito, no mercado, nas relações políticas e sociais, impera o "primeiro eu, depois o resto". A coletividade, que deveria ser a base de qualquer sociedade funcional, foi substituída por um hedonismo inconsequente, onde as pessoas pensam apenas no benefício próprio e imediato, sem enxergar o colapso à frente.

Perguntei para a IA se isso é novo ou se sempre foi assim. Ela me fez pensar: Ok, talvez o problema não seja novidade. Concordo. Mas a expectativa era que, com o tempo, a gente evoluísse. Tipo: A expectativa era que em 2025 viveríamos como os Jetsons, ou seja, teríamos carros voadores autônomos, robôs e automações por toda a parte. Ok, talvez isso não esteja muito distante, mas em muitos aspectos, ainda estamos tentando provar que a "grama é verde" ou que "2+2=4". E não melhoramos em coisas básicas como empatia e respeito, que é o mínimo necessário para promover o bem comum e tornar a vida de todos um pouco melhor. A sensação é justamente o oposto disto.

Cristãos continuam sendo assassinados apenas por serem cristãos. Grupos extremistas como Hamas, Jihad Islâmica e Hezbolla se espalham pela Europa promovendo o radicalismo e o retorno do antissemitismo no mundo. Torcedores continuam sendo massacrados nas ruas apenas por torcerem para um time rival. Reputações são destruídas e pessoas são jogadas indefinidamente na prisão por discordâncias ideológicas. E parece que é tudo normal. É só mais cristão morto (também, quem mandou ser cristão?), é só mais um ato terrorista (também, quem mandou ser judeu?), é só mais um torcedor assassinado (também, quem mandou torcer pro rival?), é só mais um cidadão assassinado friamente por causa de um celular (também, quem mandou dar bobeira com o celular na rua?), é só mais alguém cancelado, bloqueado ou desmonetizado na internet (também, quem mandou dar opinião?). Há um relativismo permeando todas a discussões. Não são mais os atos que definem culpados e inocentes, os certos ou errados. Essas condições são definidas pelo alinhamento ou não do indivíduo ao regime vigente. Dependendo de quem fala, a mesma frase pode ser considerada apenas uma gafe ou um severo ataque a democracia, passível de cassação, processo ou até prisão. Ou seja, não importa muito o crime cometido, nem mesmo se é, de fato, crime. Isso depende de quem cometeu. O mesmo vale para direitos humanos, socorro humanitário, etc.

Os momentos mais terríveis da história da humanidade que, até pouco tempo atrás, pareciam execráveis sob qualquer ponto de vista, atualmente estão sendo relativizados. E os mais atentos já começam a perceber que paira no ar uma certa tara por revisitarmos nossos períodos mais sombrios.

Há quem culpe as redes sociais. Mas esta é uma justificativa simplista e claramente enviesada. Elas não criaram o egoísmo, a intolerância ou a violência — elas apenas escancaram o que sempre esteve aí. São apenas os espelhos que tornaram visível o que a natureza humana sempre foi. Que mostra que o ser humano, por si só, não parece capaz de se conter. Se assim fosse, não criaríamos leis todos os dias para manter o mínimo de ordem.

Thomas Hobbes já dizia que, sem leis e repressão, a humanidade mergulharia no caos, pois nossa natureza é essencialmente egoísta e violenta. E, de fato, se retirarmos os mecanismos que impõem ordem, a barbárie se instala rapidamente. O chamado "homem moderno" continua agindo como seus ancestrais tribais, apenas trocamos tacapes por armamentos sofisticados. A agressividade continua lá, seja nas redes sociais ou em conflitos armados que dizimam populações inteiras.

Será que isso é prova de que nossa "natureza má" é mais forte que qualquer tentativa de evolução?

A IA tentou me oferecer saídas — educação em empatia, comunidades menores, incentivos pra comportamentos melhores. Mas eu não sei se acredito. Em pequena escala, talvez funcionasse. Mas no mundo todo, com bilhões de pessoas, interesses conflitantes, religiosos fanáticos e ideologias perversas? Parece remendo em pano rasgado. Talvez o máximo que a gente consiga é reduzir o dano aqui e ali, sem nunca mudar o quadro inteiro.

A ciência faz sua parte avançando ininterruptamente e proporcionando melhorias constantes na vida do homem, mas este continua patinando nos quesitos mais básicos de sua existência. O pensamento crítico tem dado lugar ao fanatismo e a polarização exagerada, o diálogo foi substituído pelo cancelamento, e a informação, que nunca esteve tão acessível, se tornou ferramenta de manipulação de massa. Se evolução significa aprender com os erros, então estamos falhando miseravelmente.

No fim, voltei à pergunta inicial. Acho que nosso ápice como espécie — não o tecnológico, mas o humano — já passou. A tecnologia brilha, mas as falhas que carregamos desde sempre ficam mais evidentes sob essa luz.

A Bíblia menciona vários sinais e comportamentos que seriam observados nos últimos tempos. Em 2 Timóteo 3:1-5, por exemplo, Paulo descreve que nos últimos dias, os homens seriam:

- Amantes de si mesmos: Egoístas e centrados em seus próprios interesses.
- Avarentos: Excessivamente preocupados com dinheiro e bens materiais.
- Presunçosos e soberbos: Orgulhosos e arrogantes.
- Blasfemos: Falando mal de Deus e das coisas sagradas.
- Desobedientes aos pais: Falta de respeito e honra aos pais.
- Ingratos: Falta de gratidão.
- Profanos: Sem reverência pelas coisas sagradas.
- Sem afeto natural: Falta de amor genuíno e compaixão.
- Implacáveis: Incapazes de perdoar.
- Caluniadores: Difamando os outros.
- Incontinentes: Sem autocontrole.
- Cruéis: Sem bondade ou misericórdia.
- Traidores: Desleais.
- Obstinados: Teimosos e inflexíveis.
- Orgulhosos: Vaidosos.
- Amantes dos prazeres mais do que amantes de Deus: Priorizando os prazeres mundanos sobre a espiritualidade. 

Seria isso apenas coincidência ? Não creio.

Não sei se é pessimismo ou só cansaço de esperar algo que não vem. Mas, olhando pra 2025, sinto que essa curva de evolução - se é que existiu - começou a apontar para baixo.

A IA tentou me convencer que o comportamento humano atual até pode demonstrar sinais de involução, mas que a história é cíclica, com erros, acertos e sinais de degradação moral, se repetindo ao longo dos tempos. Mas e se dessa vez estivermos num caminho sem volta, vivendo de fato os últimos tempos ? Seja qual for a resposta, será que estamos prontos para o que está por vir ? Talvez este seja um bom momento para pensar a respeito.

Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

Postar um comentário

0 Comentários