Acabei de escrever o segundo livro.
Pois é... praticamente do nada. Não havia planos, nem ideias, muito menos material organizado para isso. Mas tudo aconteceu de repente, por causa de uma simples canção que, sem mais nem menos, resolveu atravessar “as volutas que moram dentro do meu pensamento morno”.
Esta é a história por trás de Uma Canção, Um Devocional – Son of a Sinner.
Era um domingo como outro qualquer. Eu estava saindo de casa cedinho e liguei o rádio do carro na minha rádio rock favorita, como sempre faço. Gosto de rádio. Sempre gostei. Apesar de estarmos na era dos bluetooths, Spotifys e outros aplicativos de música, eu ainda ouço bastante rádio. Mas isso é assunto pra outro texto.
De repente, uma melodia e uma voz crua que eu nunca tinha ouvido antes prenderam minha atenção. Tentei acompanhar a letra e bastaram apenas alguns segundos para que a canção me atingisse em cheio, daquele jeito raro que poucas conseguem. Havia algo ali que espelhava lutas, dilemas, e uma busca por algo maior que a própria dor.
Acho que é justamente aí que mora a minha paixão pela música: na sua capacidade de comunicar sentimentos profundos, que ecoam dentro de tanta gente. No seu poder de tocar em temas sérios e existenciais, muitas vezes embalados por melodias leves, suaves e até descontraídas. Especialmente quando ela escapa dos clichês dos amores melosos, dos remelexos fáceis e das modinhas passageiras para dar voz às grandes questões humanas, aos mistérios da existência, da Providência… e a tudo aquilo que, entre uma nota e outra, pulsa na alma do ouvinte.
Aquela canção era "Son of a Sinner" (2023), de Jelly Roll. Mais tarde, ao mergulhar nos detalhes de sua letra brutalmente honesta, entendi o porquê daquela emoção instantânea. Cada verso era um espelho da alma humana com suas fragilidades, suas quedas, seu anseio por redenção. E foi ali, nesse ponto de conexão tão profunda, que nasceu a ideia: aquela canção não era apenas música, era um portal para uma conversa mais íntima com a fé.
Assim começou a jornada de criação do devocional Filho de um Pecador. Quis transformar a autenticidade e a vulnerabilidade daquela música em um caminho de reflexão e cura, guiado pelas verdades atemporais da Bíblia. E embarquei, então, no processo de desdobrar cada linha, cada metáfora, cada confissão de Jelly Roll para conectá-las à inesgotável graça de Deus.
Conforme desvendamos a letra da música, desvendamos também temas que ressoam em todos nós:
Os fantasmas do passado: Aquelas memórias e culpas que insistem em nos fazer companhia.
O ciclo das recaídas: As recorrentes quedas que sofremos, quando prometemos nunca mais cair nos mesmos erros novamente.
A busca por identidade: Como muitas vezes acabamos nos definindo pelos rótulos que o mundo nos dá.
O preço dos erros: A dura realidade de arcar com as consequências dos próprios erros.
A exaustão da alma: A sensação de estar "definhando" por dentro e de ter o "coração se quebrando lentamente".
A dualidade dos escapes e a honestidade com Deus: O caminho entre os falsos alívios, falsos amigos e as fugas.
A esperança final: A esperança de que, apesar de nossos medos e percepções distorcidas, Deus, em Seu amor, sempre poderá nos salvar.
É sempre uma experiência reveladora ver como uma música rotulada como secular pode abrir portas para verdades espirituais profundas. Cada devocional do livro é um convite para olhar com honestidade para as próprias lutas e encontrar consolo e esperança num Salvador que conhece os becos mais escuros da nossa alma e, ainda assim, nos chama incansavelmente de volta pra casa.
Este projeto se tornou a materialização da crença de que Deus pode falar conosco através de qualquer forma de arte. E que a fé não precisa ser polida ou perfeita, ela se revela na nossa vulnerabilidade, nos nossos questionamentos, na nossa busca sincera por um Alguém que nos compreenda.
Uma Canção, Um Devocional – Son of a Sinner é mais do que um livro; é um testemunho de que a colisão entre corações feridos e o Evangelho que acolhe é onde a verdadeira cura acontece. Espero que, ao lê-lo, você também perceba que Jesus está logo ali, pronto para te encontrar exatamente onde você está.
Sendo este o fruto de uma experiência edificante e enriquecedora, é bem possível que ele seja apenas o primeiro de uma série Uma Canção, Um Devocional.
Vamos ver... o tempo dirá.
Nota: sobre a capa do livro e a imagem que ilustra este texto - Um velho Ford sem espelhos retrovisores. - Jelly Roll possui o "Ford" em seu nome (Jason Bradley DeFord) e o usa como um trocadilho para fazer referência a isso, dizendo que retirou os retrovisores deste velho Ford, de modo que possa olhar apenas para frente.
Caso tenha interesse, o link para o livro está abaixo e também na lateral da página:
Até a próxima!
Fabior

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