Há um bom tempo vinha planejando dar um passeio em Santos. Estive lá uma vez em 97 (se não me engano), a trabalho, por algumas horas apenas. Não me lembro bem dessa passagem e não vem ao caso.
Vi num desses telejornais que dão “dicas para o final de semana” que Santos oferece um passeio de bonde pelo centro histórico e achei que seria uma forma bem mais decente de conhecer Santos do que a correria e desinteresse de oito anos atrás.
Saí cedo de casa para este passeio, planejado com 15 dias de antecedência e percorri os 80Km de estrada até Santos. Cheguei rápido e a primeira coisa que vi foi uma convidativa e insistente placa indicando a direção para um tal Museu do Mar. Segui a placa por algum tempo até que, de repente, ela sumiu e me vi meio fora de rumo. Resolvi, então, procurar o bondinho e deixar o museu para depois. Afinal, era cedo e eu tinha o dia inteiro pela frente. Assim foi.
Cheguei na Praça Mauá um pouco antes do horário e tive que aguardar pela primeira viagem. O bondinho chegou pontualmente às onze horas. Impecável. Em perfeito estado de conservação. Segundo o guia que acompanhou a viagem durante os aproximadamente 15 minutos, tempo que dura o passeio, construído na década de 20, o bonde é um dos poucos veículos remanescentes. Foram restaurados suas peças de bronze, elementos decorativos e estruturas de madeira. Todo o sistema elétrico do carro foi recuperado e o antigo motor também foi retificado. Tudo em parceria com a Companhia de Transporte Coletivo do Rio de Janeiro. Depois, li que foram instalados 1.700 metros de rede aérea e trilhos, nas ruas e praças do Centro Histórico. E o projeto não acaba aí, já que a intenção é expandir a linha para outros trechos e continuar a restaurar outras carrocerias disponíveis.
SAIBA MAIS: Linha Turística de Bonde
Acho muito interessante esse trabalho de certas prefeituras e governos que, mesmo em meio a tantas dificuldades impostas pelos tempos modernos, fazem o possível para manter viva a história de suas cidades.
Depois do passeio pela história de Santos, saí em busca de outras atrações. Resolvi ir até a Ponta da Praia (uma das praias de Santos), atraído pelo Aquário Municipal de Santos e de onde pode se observar a entrada e saída de navios que acessam o Porto. A praia também é o ponto de partida para passeios de escuna pela baía e laje de Santos e também a balsa Santos-Guarujá.
Decidi, ali, na hora, fazer uma caminhada pela orla e observar os famosos prédios inclinados da orla de Santos. O tempo não estava lá essas coisas pois, segundo a previsão, uma nova frente fria estaria chegando naquela mesma tarde. Mas o que me impressionava mesmo eram aqueles prédios. Verdadeiras torres de Pisa, brazucas. Pra quem nunca viu, se você observar os edifícios da Orla vai ficar impressionado com a quantidade de prédios inclinados que existem por lá. Alguns com incríveis ângulos de inclinação.

Imediatamente depois da caminhada, dos prédios e das divagações, passei a procurar um lugar pra comer, à primeira vista não consegui encontrar restaurantes convidativos. O que me pareceu interessante era tão caro que não merece sequer menção. No fim das contas encontrei um lugar chamado Esquina da Esfiha. Acho que eles têm o maior Beirute do mundo. Pensei até em dizer que o certo seria que esses Beirutes fossem vendidos em Itu (cidade com fama de possuir tudo em maior tamanho do que o normal), mas não teria graça e, portanto guardei o comentário sem graça só pra mim. Resumindo, se você estiver um dia em Santos e quiser comer um Beirute no capricho, este é o lugar.
Enquanto aguardava o pedido descobri o Museu da Pesca e resolvi que este seria o próximo destino. Pra ser sincero, não estava muito a fim de entrar em museus, mas eu já estava ali e por que não? Afinal, se o Museu do Mar tinha desaparecido do meu radar, por que não aproveitar a outra alternativa?
Interessante o Museu da Pesca. Possui muitos artefatos, animais empalhados, miniaturas de embarcações e até uma coleção de areia de diversas praias do mundo. OK, Você até pode perguntar: “Quem me garante que essas areias são realmente das praias descritas nas etiquetas de cada potinho?” Sinceramente não sei. Mas achei que, neste caso, não custaria nada dar um pouco de crédito a outrem. Areias à parte, nada foi tão impressionante quanto um esqueleto de Baleia montado dentro do museu, preso por cabos de aço no andar superior sobre um piso de vidro, que tornava possível vê-la do piso inferior também. Em resumo, um lugar interessante para ser visto em apenas 1 hora, dependendo do interesse e da paciência do freguês.

Saí do Museu da Pesca e quinze minutos depois estava em frente ao Museu do Mar, incrédulo e decepcionado. O tal Museu do Mar era uma casa com um banner na frente. Não acreditei que lá dentro pudesse haver qualquer acervo de animais marinhos, tubarões e etc. Não me dei nem ao trabalho de sair do carro.

Paciência. Afinal de contas, Santos é aqui do lado. Não é como ter ido à Paris e não ter visto o Louvre e, sendo assim, prometo que irei a Santos novamente algum dia para tirar este peso da consciência.
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