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Quem vai dizer tchau?

A primeira vez que a vi foi em 2003, numa revista. Ela era linda. Era exatamente como eu havia sonhado. E mês após mês ela aparecia na páginas da revista que eu assinava e nos meus sonhos.

E eu, apesar de tanto desejo, nunca tinha coragem de procurá-la. Até que um dia dei de cara com ela numa loja. Eu simplesmente não conseguia disfarçar. Olhava-a de todos os ângulos. Era perfeita. E eu ali, tão pertinho. Podia ter me aproximado, tentado algum contato, quem sabe sair com ela, mas estava inseguro (sempre fui) e não tinha certeza se era aquele o momento certo.

Foi então que resolvi esperar pela próxima oportunidade que, ali, depois de tê-la visto pessoalmente, decidi que certamente aconteceria. Fiz planos, contas, ensaios e, depois de muito pensar, me enchi de coragem e fui procurar por ela.

Acabei por encontrá-la na mesma loja da qual ela era a garota propaganda na minha revista. 

Ela estava exatamente como na primeira vez que a vi. Aproximei-me lentamente e flertei com ela por alguns instantes. Então, decidido e confiante, iniciei uma conversa que durou algum tempo. Não era tão simples sair dali com ela daquele jeito. 

Ela precisava da liberação de outras pessoas, mas tudo se resolveu e finalmente saímos dali direto para o meu carro. Não podia levá-la para minha casa pois não teríamos privacidade lá. 

Mas eu já tinha tudo planejado. E fomos para o meu pequeno estúdio, onde costumava tocar com a minha banda. Talvez tenha calculado mal o tempo mas, quando cheguei, a banda já estava lá reunida. Apesar do imprevisto, fiquei orgulhoso em apresentá-la aos meus amigos e ver que todos eles também a admiravam. E mais. Bastou uma sugestão e em questão de minutos ela já estava fazendo parte do ensaio, fazendo daquela tarde uma das mais especiais.

E foi assim o início da nossa história. Foi perfeito para um primeiro contato.

Daquele momento em diante, começamos a passar muito tempo juntos. No início tive um pouco de dificuldade. Afinal, estávamos nos conhecendo e percebi que não fui muito bem nas primeiras vezes em que tentei tocá-la. 

Pelo som que ela fazia, dava a entender que não gostava muito de certos movimentos. 

Claro, ela tinha classe. Era muito diferente da última que tive. Ela era sensível. Não precisava de força, era apenas jeito e uma boa pegada. Ela era encorpada, tinha presença e chamava atenção. O que, às vezes, me deixava um pouco inseguro mas, aos poucos, fui me acostumando com o jeito dela, ganhando confiança e ela foi ficando totalmente em minhas mãos. 

Então víamo-nos religiosamente aos domingos. Era o nosso momento. Eu cuidava dela e fazia tudo que fosse necessário para que ela estivesse sempre linda e ela me ajudava a expressar minhas emoções. Era tudo perfeito.

Mas o tempo foi passando e, sem perceber, uma certa rotina se estabeleceu. 

Então, já não nos víamos mais todos os domingos e, de repente, já nem nos víamos mais. A não ser em encontros esporádicos e sem qualquer envolvimento. 

Sim, eu a abandonei. Deixei de cuidar dela. Deixei de tocá-la. Ela não merecia.

Hoje, mais de quatro anos depois de tê-la conhecido, a encontrei novamente. 

Precisava vê-la e resolver essa incômoda situação. Ela continua a mesma. Sua beleza ainda está lá, mas é uma beleza triste. Uma beleza de quem foi criada para brilhar mas está presa, escondida, sufocada. Então, por essa e outras razões que não vêm ao caso, concordamos que chegou a hora de nos separarmos.

É claro que eu ainda a amo! Temos nossas músicas, que não são poucas e me lembrarei dela toda vez que ouvi-las e todas as vezes que visitar meu antigo estúdio, hoje transformado num depósito.

Sim! Eu ainda a amo, já disse! Mas os dias atuais são diferentes. Já não sou mais como há quatro ou cinco anos. 

E como diz Nando Reis: "Tornar o amor real é expulsá-lo de você para que ele possa ser de alguém".

E assim ela deu o primeiro passo para que isso possa acontecer. Para que ela volte a ter alguém que cuide e a toque como ela merece. Ela se vestiu como no dia em que a vi na loja pela primeira vez. Pra mim era a mesma coisa linda de quatro anos atrás, mas já não a olhavam do mesmo jeito. O tempo passou pra ela também e a culpa é minha por ter aproveitado melhor o nosso tempo, por não tê-la valorizado como ela merecia ou esperava. 

Ela passou os melhores anos da sua vida esperando por mim.

Hoje certamente foi a última vez que a vi e estou triste, não podia ser diferente.

Soraia era o seu nome!

Só me resta torcer para que ela encontre algum garoto que tenha aquele brilho nos olhos, que a veja com entusiasmo, que a leve pra casa, cuide dela e a faça feliz como ela já foi um dia. 

Que ela possa recuperar todo o tempo perdido e que tenha vida longa a minha bateria.


Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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