É, Claudião…
Quantas histórias, hein ? Quantas coisas legais as pessoas me falaram de você hoje.
Histórias divertidas que eu não conhecia. Histórias sobre a sua infância e do quanto você era bom com um estilingue nas mãos. Contadas, é claro, por quem esteve lá.
Histórias sobre suas habilidades ao volante. Contadas, também, por quem esteve ao seu lado dentro de um carro e passou por situações complicadas.
Histórias sobre como você defendia seus irmãos e tantas outras histórias como, por exemplo, das pescarias que você sempre gostou de fazer e de ter colocado dois peixes no anzol no meu pai enquanto ele estava distraído e tê-lo deixado acreditar por vários dias que tinha pescado dois peixes de uma vez só.
Isso sem mencionar, uma série de outras histórias sobre suas atitudes bacanas e sua inesgotável disposição para ajudar os outros.
Quantas lembranças legais as pessoas têm de você, Claudião.
E isso foi apenas o que ouvi. Tem ainda as coisas que eu mesmo lembro.
Minhas primeiras lembranças de você são de quando você levava a mim e ao Paulo (seu filho e meu primo) num barzinho (que hoje virou salão de cabeleireiro) e pagava um refrigerante de garrafinha pra gente. Eu mal aguentava uma daquelas sozinho (sempre fui fraco pra bebida).
Depois foram os passeios de caminhão, às vezes na cabine, as vezes na carroceria. Tinha o vermelho e o azul. Foi neles que foram feitas as três mudanças de casa pelas quais passei na infância. Lembro que, as vezes, você deixava a gente passear na carroceria e, como sempre tinha restos de grãos como feijão, milho e etc, que se acumulavam ao vazar dos grandes sacos em que eram transportados, eu e o Paulão ficávamos jogando milho para as meninas na rua…
Hoje em dia, se bobear, isso daria até processo. Enfim, coisas de moleque…
Lembro também das poucas vezes que jogamos bilhar naquela mesa da casa do tio Luiz e era difícil alguém ganhar mim e do Paulo na parceirada. Aliás, ninguém entendia como a gente sabia jogar tão bem se não tínhamos mesa e não íamos a bares para jogar (pelo menos era o que pensavam).
Lembro ainda dos vários Réveillons que passamos juntos. Era sempre igual e quando dava meia-noite, assistíamos a queima de fogos de cima da minha casa, que tinha uma vista privilegiada da região.
Lembro de você ajudando nos preparativos do salão para as bodas de prata do tio Luiz, casamento da tia Zilda e ainda o casamento do Marcelo. Como sempre, eu e Paulão estávamos lá. A gente ficava se divertindo enquanto você, meu pai e os outros trabalhavam.
Eu e o Paulão tínhamos muito orgulho de você e do meu pai. Para nós, vocês dois eram nossos McGyvers. Não havia nada que vocês não achavam um jeito de resolver. E foi assim que você nos ajudou em vários momentos difíceis da construção da nossa casa.
Depois, foram as aulas de volante na Kombi do meu avô. O Paulo também estava junto em algumas dessas. Aulas valiosíssimas.
Só não dei muita sorte nas pescarias. Chegamos até a arriscar uma ou outra mas nunca dava nada, lembra ? Vai ver o pé frio sou eu. Aliás, Claudião, desisti desse negócio de pescaria, viu? Poucas coisas na vida são mais chatas que pescar. Se eu tiver que ir a alguma pescaria novamente, vou usar o exemplo da história que citei a pouco e ficar sacaneando quem estiver pescando. Acho que vai ser bem mais divertido.
Teve também a aula de direção na estrada. Eu tinha acabado de comprar meu primeiro carro, um Kadett 1.8 e minha carteira de motorista provisória estava novinha em folha. Queríamos ir pra Minas e rodar um total de 1000km. Eu não tinha experiência suficiente e você foi revezando comigo para que eu pudesse ir pegando as “manhas” da estrada. Viagem legal aquela, né ?
Tá vendo, Claudião ? Eu também tenho histórias bacanas sobre você. Acho difícil que alguém que tenha te conhecido e convivido o mínimo com você não tenha histórias bacanas pra contar.
E são essas as histórias que estão na nossa cabeça hoje. São essas que iremos manter guardadas. As histórias que nos fazem sorrir. Porque a história de hoje… essa não queríamos contar e, muito menos, ouvir. Era cedo, Claudião, cedo demais.
Você foi forte, muito forte, mas era difícil e você suportou o quanto pôde, todos nós sabemos, mas sua falta deixa um vazio em nossa família e em nossos corações.
Obrigado por tudo, Claudião! Sobretudo pelas histórias, porque elas ficam. A nossa história e o que fazemos aqui é tudo que realmente deixamos. Por isso, valeu mesmo, Claudião! Você nos deixou muitas histórias que vamos continuar contando sempre que nos lembrarmos de você.
Que todos esses momentos, que eram apenas meus e que estou compartilhando agora, somado aos de todos os familiares e amigos que conviveram com ele, ajudem a trazer um pouco de conforto neste momento difícil.
PS: 31/05/2008 –
Claudião, voltei porque precisava dizer algo importante. Como você sabia, o Luizão também estava passando bem, você sabe. Pois é, Claudião. Não sei bem como te dizer. Afinal, não inventaram um jeito fácil de fazer isso. O que estou tentando dizer é que ele também se foi…
É verdade, Claudião. Apenas quinze dias depois de você. Foi uma batalha dura a dele também.
Quem sabe, vocês até já estejam juntos em algum lugar. Se estiverem, por favor agradeça novamente a ele por tudo que fez por nós. Diga-lhe que também tenho memórias bacanas dele que guardo com carinho como, por exemplo, me deixar dirigir o Chevettinho zerado dele em Caraguá quando eu tinha uns nove ou dez anos. Lembro do Simca Chambord que ele reformou e que ficou impecável. E que fiquei chocado quando soube que ele tinha vendido. Houve uma época em que ele trocava de carro como quem troca de roupa. Aliás, até fui com ele algumas vezes naquelas feiras do automóvel, no Anhembi, se não me engano. Lembro das visitas que fazíamos sábado à tarde na casa dele. Parece que consigo até ouvir a voz dele. Aquele jeito dele de falar era inconfundível.
Queria escrever mais, Claudião. Mas no meio de tantos pensamentos, lembranças e cenas que passam na minha cabeça agora, me faltam as palavras. Por favor diga-lhe apenas mais uma coisa em nome de todos nós: Diga-lhe que era cedo. Cedo demais.
Aos familiares, meu abraço, respeito e mais sinceros sentimentos. Que possamos encontrar o suporte e força necessária uns nos outros e que Deus possa confortar nossos corações.
Força Sempre !!
Em Memória de:
José Claudio Fonseca – 26/04/1951 – 18/05/2008.
Luiz Fonseca – 30/10/1940 – 31/05/2008.

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