Já trabalhei em Belo Horizonte antes. Em 2000, acho. Fiquei algo em torno de dois meses lá, cobrindo a posição de um funcionário que havia sido demitido. Cheguei até a me candidatar para a vaga dele mas não deu certo porque eu era recém contratado e não fui liberado para a tal vaga de BH.
Mas foi um período bacana. Tive a oportunidade de conhecer lugares como a região da Lagoa da Pampulha, a Igreja de São Francisco de Assis, O Mineirinho e o Mineirão. O Parque Municipal, no centro, e a Praça da Liberdade. Os shoppings Diamond Mall em Lourdes e o BH Shopping, já na BR 040, a Sede do Atlético Mineiro e sua sala de troféus, a região da Savassi e as proximidades da Avenida do Contorno. São cafés, bares com música ao vivo, cervejarias e diversos lugares interessantes para bater um papo e curtir até altas horas.
Desta vez cheguei a Belo Horizonte por Confins, que justifica o nome, uma vez que fica realmente nos confins da terra. Acho que longe uns 40 km do centro de Belo Horizonte. Fui chegar no hotel quase meia-noite e foi sorte ter comido algo no Rio, pois a cozinha do hotel havia fechado às 22h30 e meu jantar seria apenas castanha de caju, uma vez que não estava disposto a sair para jantar depois de um dia cheio como aquele. Mas, cá entre nós, chegar por Pampulha era muito melhor!
O hotel, Bristol Golden Plaza, em minha opinião, é regular. Já fiquei em melhores e também já fiquei em piores como poderei esclarecer em breve numa das continuações desse texto.
Por coincidência, o local era do lado de onde eu tinha ficado há alguns anos mas, nessas viagens de um dia, não há tempo para nada que não seja trabalho. Assim sendo, apenas dormi, tomei café da manhã, fiz o que tinha que fazer em BH e saí atrasado, claro, para os Confins.
O taxista mineiro foi uma atração à parte. Quando eu disse a ele que horas era o voo, o sujeito ficou desesperado e disse que não garantia que chegaria a tempo porque o trânsito àquela hora era terrível e, com as obras da Linha Verde, estava ainda pior.
Estressado, ele xingava qualquer coisa que aparecesse na frente e ficava indignado com a forma de dirigir dos outros motoristas. Eu tentava acalmá-lo dizendo que em São Paulo era muito pior porque, como se não bastasse o trânsito, ainda tinha incontáveis motoboys, o que dispensa maiores explicações.
A Linha Verde mencionada pelo taxista é o metrô. Na última vez que estive em BH não havia metrô. Agora há. Algumas estações apenas, mas já é um começo e BH merece.
Mas o taxista continuava nervoso e preocupado com o meu horário e usava todos os caminhos secretos que conhecia para encontrar atalhos dentro de bairros da região e assim escapar dos trechos mais congestionados.
Ok. Havia trânsito, mas nem era tanto assim e nem mesmo o stress do motorista (nunca vi mineiro tão desesperado) me incomodava muito. O que me incomodava mesmo era o CD do Frank Aguiar que ele escutava. O pior é que o CD acabou e começou de novo e não chegava nunca no aeroporto para acabar com aquele inferno. Não sou do tipo chato que fica dando ordem dentro do carro dos outros. Se a pessoa pergunta se isso ou aquilo está bom, posso até falar alguma coisa. Senão, segue o jogo. O carro é do cara e ele ouve o que ele quiser. Paciência.
Lembrei daquela música dos Engenheiros do Havaí que diz: “No táxi que me trouxe até aqui Júlio Iglesias me dava razão (…)” e fiquei pensando sobre quem teve mais azar. Se o Humberto Gessinger, com Júlio Iglesias ou a minha pessoa, com o Frank Aguiar.
Tanta correria pra nada. Voo atrasado outra vez. Fiz o check-in e fiquei perambulando pelo aeroporto cantando “…lavô tá novo”…
Detesto admitir mas, assim como Júlio Iglesias, Frank Aguiar também tinha razão.
Não há muito o que dizer sobre o voo até Brasília, a não ser pelo fato de que havia um baiano - sei disso porque ele fez questão que o avião inteiro soubesse de onde ele era - que falava alto e fazia gracinhas para que todos o vissem e ouvissem. Um tremendo aparecido. E sem graça, ainda por cima. Havia ainda uma garota que ficava rindo histericamente de tudo que o tal sujeito dizia ou fazia. Estava com ele. Óbvio. Mas era boba ou estava bêbada, só pode. E senti muito a falta de um walkman, discman, mp3 player, um abafador de ruídos, da cantilena dos comissários ou até mesmo de um bebê chorando incansavelmente. Qualquer coisa que pudesse abafar a voz do sujeito e as gargalhadas histéricas da senhorita que o acompanhava.
É mais uma prova de que Deus não gosta de murmuração. O castigo sempre vem a cavalo, neste caso, alado. Foi isso que aprendi depois de ter reclamado tanto por ter aturado o Frank Aguiar durante mais de uma hora: Que não se deve reclamar das coisas, pois sempre podem piorar.
E só então percebi que, em situações como essa, é possível até simpatizar com as histórias e o forró sacana do Cãozinho dos Teclados…
Pensando bem, não é não.
Até a próxima!
Fabior
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