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Nove Cidades - Parte 3

“Brasília é uma ilha.
Eu falo porque eu sei.
Uma cidade que fabrica sua própria lei.
Onde se vive mais ou menos como na Disneylândia.
Se essa palhaçada fosse na Cinelândia
Ia juntar muita gente pra pegar na saída.
Fazer justiça uma vez na vida” – Herbert Vianna

Cheguei em Brasília por volta de 22h e minha primeira impressão, ao percorrer o caminho entre o aeroporto e o hotel, foi de que é uma cidade legal. Bem organizada. Vias largas. Pareceu interessante…

Ainda no táxi, vi um moleque (no real sentido da palavra) dirigindo praticamente deitado, com “panca” de folgado, uma lata de cerveja na mão e uma garota pendurada no pescoço. Um verdadeiro acidente esperando para acontecer.

O Hotel Manhattan, onde me hospedei desta vez, era muito bom. Segundo o taxista, já foi fechado para o ex-presidente americano Bush, só não sei qual dos dois, aliás, não sei nem se é verdade. O que sei é que fica próximo ao Eixão, o que me fez ficar cantarolando “Travessia do Eixão”, uma música que consta no último disco de estúdio da Legião Urbana. Depois, acabei descobrindo que se trata de um poema de Nicolas Behr:

“Nossa Senhora do Cerrado,
protetora dos pedestres,
que atravessam o Eixão,
às 6 horas da tarde,
fazei com que eu chegue são e salvo,
na casa da Noélia”

O Eixão, como é sabido, é uma via expressa e não tem semáforos ou passarelas, somente passagens subterrâneas. Aliás, há um filme chamado “Irreversível” onde uma mulher é violentada e desfigurada numa dessas passagens e, embora o filme se passe na França, quem o viu ou sabe da história prefere se arriscar atravessando pela pista mesmo do que passar sozinho(a) por estas passagens. Eu vi o filme e achei uma porcaria, mas essa cena é impressionante mesmo. 

Terminei cedo o que eu tinha para fazer. Como o voo era bem mais tarde, resolvi dar uma olhada nos arredores antes de ir para o aeroporto. Sendo assim, Brasília foi o único lugar que tive um tempinho para conhecer um pouco da cidade. Entrei no táxi e disse: – Vou para o aeroporto, mas antes gostaria de conhecer os principais pontos da cidade, por favor.

Neste passeio, à luz do dia, pude confirmar a impressão que tive na noite anterior. Tudo pareceu interessante e organizado. Significa dizer que, é o que se espera de uma cidade planejada, obviamente. Resta saber se essa impressão se confirma no dia-a-dia da cidade, se há o que fazer ou ver nas horas de folga. Enfim, para mim, tudo não passa de impressões apenas.

Passei pela esplanada dos ministérios, pelo palácio do Planalto, pela Catedral Metropolitana de Brasília, Câmara dos Deputados, palácio da Alvorada e Senado. Passei ainda pelo setor das embaixadas e foi interessante ver que a embaixada dos Estados Unidas está localizada praticamente na "área nobre" de Brasília, cercada de cuidados e medidas de segurança para impedir que qualquer pessoa se aproxime mais do que o necessário. E que a do Iraque é a última, no final do setor, sem qualquer dos cuidados mencionados anteriormente e numa área praticamente residencial bem normalzinha, digamos assim.

Conversando com algumas pessoas aprendi que a umidade do ar pode chegar a 12% e, por conta disso, dorme-se com uma toalha molhada, umidificador e bacia d’água no quarto durante pelo menos três meses do ano. Aprendi também que “camêlo” significa bicicleta (“… Se encontraram então no parque da cidade, a Mônica de moto e o Eduardo de camêlo…- Eduardo e Mônica” – viu como agora faz sentido ?). 

Outra particularidade sobre Brasília é a questão de endereçamento da cidade. Brasília é a cidade das siglas. As vias, os locais, não têm nomes. Tudo funciona com um sistema de coordenadas. Há algumas exceções, é claro. Por isso a melhor forma de se orientar é visualizar mentalmente um avião na direção de Oeste para Leste (Brasília foi projetada por Lúcio Costa com esse conceito). São 15 km da extremidade da Asa Norte até a extremidade da Asa Sul, seguindo o Eixo Rodoviário (Eixão) – 7 km cada asa.

O “centro” da cidade é o cruzamento entre o Eixo Monumental (que seria o “corpo” do avião) e as “Asas”.

A maioria dos endereços é definida por Setor, Quadra e Bloco. Exemplos

Meu hotel: Hotel Manhattan – SHN QUADRA 2 BLOCO A
Meu local de trabalho: Bradesco – SCS QUADRA 2 BLOCO A

Pra mim parece meio estranho, parece coordenadas de cemitério. Enfim...

Conheci ainda a Ponte JK, uma bela obra idealizada pelo arquiteto Alexandre Chan, que faz uma referência ao movimento de uma pedra quicando sobre a água. Muito Interessante. Não sabia da existência dela apesar de ter sido inaugurada em 2002.

O passeio de táxi até que revelou bem as principais atrações arquitetônicas da cidade, mas eu ainda gostaria de ter tido mais tempo para conhecer um pouco melhor cada um dos lugares por onde passei e ver um pouco mais de perto seus detalhes. Vai ficar para a próxima.

Em tempo, as três músicas que citei aqui são de bandas conhecidas por serem de Brasília. Uma coincidência apenas? Obviamente que não, uma vez que tratam, uma dos problemas da capital federal e as outras duas de aspectos culturais da cidade.

Continua…

Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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