Mi Buenos Aires querida.
Sem dúvida um dos mais conhecidos clichês quando se fala de Buenos Aires.
Buenos Aires, Argentina – 18-22 de Agosto de 2008
Embora tenha começado com um, tentarei não recorrer mais a clichês daqui pra frente. Não quero cair em vala comum. Então, vou procurar me ater apenas à minha percepção sobre a viagem e os lugares que visitamos (eu e minha esposa, claro).
Para os que gostam de clichês, há textos repletos deles pela internet, com descrições para todos os gostos.
Estivemos lá e Agosto de 2008 e não escrevi antes sobre essa viagem por uma série de motivos mas, para não esticar o assunto, prefiro dizer que foi por falta de tempo mesmo.
Ficamos quatro dias. Tempo que considerei suficiente para conhecer os principais atrativos da cidade e conhecer um ou outro lugar nos arredores. Pensei que faria frio. Não fez. OK, talvez um pouquinho, à noite.
Nosso primeiro passeio foi um corrido city tour que o pacote oferecia. Não foi lá essas coisas. Mas acho que cumpriu bem seu propósito e nos deu uma boa ideia do que poderíamos visitar depois com mais calma. Para resumir, era um ônibus que passava por alguns hotéis da região pegando outros brasileiros que tinham comprado o pacote da mesma empresa para dar uma volta pela cidade.
Coincidentemente, era dia de Brasil x Argentina, logo cedo, decidindo uma vaga na final dos jogos olímpicos de Pequim. Mas naquele ônibus éramos nós, contra eles. “Nós” significa um ônibus cheio de turistas brasileiros animadinhos contra um guia turístico e o motorista argentinos. Tinha tudo pra ser uma alopração total em cima deles que, a todo o momento, faziam um discurso cauteloso em relação ao jogo.
Resultado: Argentina 3 x 0 Brasil e ninguém mais tocou no assunto. A gozação que se armava minutos atrás se transformou-se rapidamente em um discreto constrangimento coletivo, dissipado rapidamente pelo interesse no passeio, é claro. Enfim, que se dane o Brasil!
Dos lugares visitados no city tour, o único que não tive vontade de voltar depois foi o Caminito, no bairro do Boca. Na verdade, não achei a menor graça naqueles barracos coloridos. Não passa de uma favela cheia de souvenirs à venda! – Pensei.
Depois, já dentro do ônibus, o próprio guia recomendava que, se tivéssemos interesse em voltar lá, que fosse durante o dia porque, depois que escurece, só se quiséssemos comprar ou vender um rim no mercado negro. Comentário que só veio para reforçar minha impressão e recém formada opinião.
Tinha também o tour pelo estádio do Boca Juniors, que não me despertou tanto interesse. Eu queria mesmo era ver um jogo do Boca naquele lendário estádio que é o La Bombonera, mas pelo que me lembro, não havia jogo naquela semana. Paciência.
Ficamos hospedados no Nogaro 562. O hotel é um pouco antigo e acredito que precisa de alguma modernização. No geral, é apenas bom mas com ótima localização.
SAIBA MAIS: Catedral Metropolitana
Essa proximidade nos permitiu conhecer todos esses lugares a pé e com tranquilidade. Se você já foi ou está pensando em ir, recomendo que procure hotéis nessa região, que é central e de fácil acesso à vários pontos de interesse permitindo que você se locomova a pé, de metrô ou mesmo de táxi, que é bem barato lá.
Apesar de ter ficado satisfeito com o hotel, é importante mencionar, apenas como fato de viagem que, numa das noites, acordei com alguém entrando no quarto. Não pude ver quem era e creio que quem tentou entrar também não viu nada pois, além de escuro, ao acordar com o barulho da porta abrindo gritei: “- Opa! Opa!”. E imediatamente recebi como resposta um: “- Perdon! Perdon!”, seguido do barulho da porta fechando novamente. Na manhã seguinte, ao reportar o fato à gerência, fomos informados que havia ocorrido alguma falha no sistema que colocou nosso quarto como disponível e, consequentemente, oferecido àquele hóspede que chegou durante a madrugada. Não deveria, mas acontece. Acho…
Visitamos os dois bares temáticos que eu queria conhecer. O Hard Rock Café que, na minha opinião, é um dos bares temáticos mais sensacionais do mundo. Ótimo atendimento, ótima comida, preços justos, sem falar no ambiente rock´n roll. Conheço dois agora. O do Rio e o de Buenos Aires.
E fomos também ao Locos X el Futbol. Muito legal também, porém um pouco vazio já que é mais procurado nas noites em que há futebol na TV. Ambos com lojas muito legais para quem gosta de comprar lembranças.
Visitamos dois shoppings muito bons. O Galerias Pacífico, na Florida e o Alto Palermo, cujo acesso pode ser feito pela estação Bulnes de metrô (lá chamado de Subte), que fica embaixo do shopping.
SAIBA MAIS: Shopping Alto Palermo.
A malha do metrô de lá é maior e mais antiga que a nossa. Mas quem conhece o metrô de São Paulo e está acostumado com suas baldeações, não encontra maiores dificuldades para se localizar nos mapas das linhas e nem para chegar ao destino desejado. Há estações mais antigas e degradadas e outras mais novas e conservadas. Imagino que as nossas serão mais ou menos assim daqui a muitos anos. Nossa malha infelizmente ainda é pequena e relativamente nova.
Como não podia deixar de ser, fomos a um show de tango.
Escolhemos um lugar chamado Senor Tango. No ato da escolha do espetáculo, nos foi perguntado sobre o estilo do show. Se mais tradicional ou mais Broadway (fazendo referência a um espetáculo mais “super produzido”). Antes que eu pudesse pensar, minha esposa já havia respondido:
– “Ah, acho que a gente quer uma coisa mais Broadway, né?”
– “Ok, pode ser.” Respondi. “Fazer o que?” – Pensei.
Na próxima vez vou preferir um show mais tradicional. Não que o espetáculo não tenha sido bom. Foi sim. Muito bom. Até recomendaria. Mas eu não assistiria novamente. Achei muita produção para um show de tango. Até cavalo tinha no palco.
O ticket do show também dava direito ao jantar e, assim que chegamos, fomos levados para a mesa que estava reservada para nós. O problema é que a mesa era para oito pessoas, ou seja, tivemos que dividi-la com mais três casais desconhecidos. Alguns poderão dizer:
– “Ah, legal! É uma oportunidade de conhecer pessoas diferentes.”
Concordo. Mas fico irritado com pessoas que querem se enturmar a qualquer custo e fazem desses encontros inesperados quase uma entrevista de emprego. Querem saber sua formação, profissão, se você tem filhos, querem saber quantos e porque, se não tem filhos querem saber qual é o problema, quem é estéril, se ainda não é casado querem saber porque, se é casado querem saber se é de papel passado. Só para citar um exemplo: Uma das mulheres da nossa mesa, ao reparar que, em um dos casais o homem era bem mais velho que a mulher, perguntou:
“- Vocês são casados?”
Ao ouvir a resposta positiva, a moça emendou, deixando o pobre casal visivelmente constrangido:
“- Mas, no papel?
Só faltou perguntar se era com comunhão total ou parcial de bens.
Pô! O que interessa e que diferença isso faria pra ela? Porque não falar do show, da viagem, do hotel, dos passeios, até dos passeadores de cachorro de Buenos Aires… que aliás são muitos.
Enfim, não tenho paciência com gente sem noção e, enquanto serviam as bebidas me lembrei daquela música do Ira!. “Vou me entorpecer bebendo vinho”. Foi o que fiz. Não sou de beber e normalmente sou bem tímido, mas naquela noite acabei bebendo bem mais vinho do que estou acostumado, tanto que, no final do show, eu já estava cantando “Por Una Cabeza” com voz de tenor. Segundo minha esposa: Impagável. Eu, sinceramente não me lembro direito.
Fizemos também um passeio chamado de Passeo Del Tigre. É um passeio de barco pelo Rio Tigre, saindo de Buenos Aires até o Parque de lá Costa, no município de Tigre. A ida, de barco e o retorno, de ônibus. Passando, na volta, por San Isidro. Gostei bastante do passeio e recomendo. Só não gostei do fato de ter ficado apenas meia hora em San Isidro por causa do almoço que tinha hora marcada em Puerto Madero. Almoço esse incluído no valor do passeio. Com pouco tempo, tivemos que escolher entre o Parque de La Costa ou uma voltinha rápida pela cidade. Escolhemos a segunda opção e fomos conhecer a Catedral de San Isidro. Valeu a pena! Ainda bem.
SAIBA MAIS: Catedral de San Isidro
Falando em Puerto Madero, esta é outra parada obrigatória para quem visita Buenos Aires. Puerto Madero se tornou o bairro mais novo da cidade após a recuperação, que começou em 1990, de uma grande área de porto repleta de celeiros, mollinos e galppones abandonados dando espaço a escritórios de grandes empresas, bares e restaurantes famosos, uma universidade, hotéis de luxo, museus e um cassino flutuante. Puerto Madero é um bairro que presta homenagem às mulheres. Assim, as ruas têm nomes de mulheres famosas em ciências, artes e política.
Entre um passeio e outro, visitamos cafés charmosos que existem em grande número por lá. São lugares bons para dar uma pausa e conversar observando o movimento e as pessoas. No nosso caso, além disso, eram paradas estratégicas para planejar os próximos passos da viagem, respirando os buenos aires da cidade (com o perdão do trocadilho). Além dos cafés, tem lojas da Havana espalhadas por toda parte e os Alfajores são muito mais baratos que aqui.
Visitando a Torre dos Ingleses, soubemos da existência de uma bela praça próxima à estação 3 de Febrero, na Avenida Del Libertador.
SAIBA MAIS: Torre dos Ingleses.
Como a Torre de Los Ingleses fica ao lado da estação do Retiro, nos aventuramos a chegar até o parque de trem mesmo. Afinal, já tínhamos passeado a pé, de ônibus, de táxi, de barco e de metrô. Por que não de trem, também? Pedi informação a um funcionário da estação sobre a compra dos bilhetes e embarcamos. Duas estações depois, saltamos praticamente dentro da tal praça que é realmente muito bonita. Para efeito de comparação, lembra bastante o parque do Ibirapuera, em São Paulo, com pessoas andando de patins, skate, bicicletas e etc.
SAIBA MAIS: Parque 3 de Febrero.
Também encontramos um tempinho para passear pela Calle Alvear, que é uma espécie de Oscar Freire (rua chique de São Paulo) e também seus arredores, no encantador bairro da Recoleta.
Ótima viagem essa à Buenos Aires. Como é possível perceber neste relato, fizemos a maioria absoluta dos passeios por conta própria, a pé, táxi ou em transportes coletivos sem qualquer tipo de problema, por menor que fosse. Fomos muito bem tratados em todos os lugares, incluindo lojas, táxis, bares, cafés, etc.
É uma viagem que recomendo a todos e que espero poder repetir para conhecer outros lugares que não tivemos a oportunidade nessa estadia e cuja existência descobri depois.
PS: Para quem for trocar dinheiro, prefira trocar no saguão do aeroporto, no banco. Há uma cabine de câmbio logo após o desembarque, passe direto por ela, o câmbio lá absurdamente mais alto. Dependendo do seu banco também é possível sacar nos caixas eletrônicos diretamente em pesos.
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