Dezembro é um mês chato.
Pelo menos para mim.
Há um sentimento de urgência generalizado. Parece que tudo aquilo que não foi feito durante o ano inteiro precisa ser finalizado antes do Natal.
Na TV, na internet e no rádio, uma overdose de anúncios, reportagens e matérias sobre os mais diversos aspectos do Natal parece amplificar ainda mais esse sentimento de pressa.
E foi assim, em meio a essa onda caótica, que consegui escapar para passar o Natal no litoral — ou, como dizem alguns, na praia.
Não é tradição. Muito pelo contrário. Foi a primeira vez. E o Elvis foi comigo. Havia dias em que ele estava entediado em casa, sem que tivéssemos tido tempo de fazer alguma atividade com ele. Fazer o quê? Fim de ano é assim mesmo. Todo mundo sabe, até mesmo o Elvis.
Cheguei no início da madrugada, por volta de 1h da manhã, depois de quase ter atropelado um pedestre que atravessava a estrada escura. Vi apenas o reflexo daqueles espelhinhos de um par de tênis cruzando a pista a poucos metros de distância. Só tive tempo de acionar a luz alta e desviar levemente para a esquerda.
Não consegui nem distinguir se era homem, mulher, um suicida, um bêbado ou um zumbi. Provavelmente mais de uma das opções anteriores. Só sei que correu o suficiente para não ser atropelado.
Deve ter calculado mal a distância antes de atravessar.
Elvis estava no banco de trás e nem percebeu o que acabara de acontecer. Estava preso ao cinto de segurança há mais de duas horas, ansioso e louco para correr e brincar. Eu, que ainda com as pernas meio moles depois do susto, caminhei com ele por alguns minutos na rua deserta para que se aliviasse e prometi que no dia seguinte ele poderia brincar até não aguentar mais.
Acabei dormindo mal, e às cinco e meia da manhã já estava de pé.
Aos poucos, o dia foi clareando meio nublado, mas com promessa de calor. Tomei um café rápido, peguei o Elvis e fomos à praia. A distância da casa dos meus pais até a areia é de aproximadamente 400 metros. Soltei a guia e deixei que ele fosse por conta própria.
Agitado, ele corria de um lado para o outro da rua, cheirando tudo que encontrava pelo caminho, sempre parando um pouco mais à frente para me esperar.
Não foi a primeira vez Elvis na praia. Seu "batismo" foi em Maresias, quando tinha uns seis meses. Eu o chamava para perto da água, mas o barulho o assustava e ele corria. Numa dessas, eu o segurei para que se molhasse e perdesse o medo. Deu certo. Daí em diante, ele virou o meu Golden Fish Retriever.
Depois de Maresias, Elvis também esteve em Ilhabela, onde se tornou especialista no resgate de discos lançados no mar. Sempre buscando, soltando e se posicionando para o próximo lançamento.
Mas já fazia um tempo que Elvis não via o mar e, assim que ele chegou à faixa de areia, parou por um instante e ficou olhando o mar. E, de repente, correu. Correu feliz da vida pela areia, pulou as ondas e brincou na água.
De vez em quando, parava por um segundo e me olhava como quem dissesse:
— Venha! Está fazendo o quê aí parado? — E voltava à sua deliciosa brincadeira.
Foi um reencontro sensacional, este dele com o mar.
Deixei que ele fizesse a festa e, depois, começamos uma caminhada que se estendeu por quase duas horas. Andamos com a água nas canelas, eu arremessando bolinhas e ele correndo feito louco para buscá-las. Na volta, antes de trazê-la para mim, ele sempre entrava na água para mais um mergulho rápido.
Como era muito cedo, a praia estava vazia, e ele tinha todo o espaço que quisesse para correr e aproveitar como bem entendesse. De vez em quando, rolava na areia seca e se transformava num cachorro à milanesa, mas logo em seguida voltava para a água e se chacoalhava todo. Aproveitou o máximo que pôde.
Chegando em casa, enfiei-o debaixo de um daqueles chuveirões de quintal para tirar o sal e a areia. E ele nem ligou. Estava calor e aquilo era um belo refresco.
Depois de seco, uma rápida escovada e ele estava pronto para outra, com seu pelo dourado brilhando à luz do sol. Até ameaçou pedir para brincar com a bolinha, mas, vencido pelo cansaço, adormeceu e ficou preguiçoso o resto da tarde.
Quando anoiteceu, coloquei em seu pescoço uma bandana de Natal e fomos para a rua.
Ele cumprimentou delicadamente adultos e crianças. Executou com precisão todos os truques que sabia (sentar, deitar, dar as patas, rolar, cumprimentar, ficar etc.) e caminhou tranquilamente. Mostrava o melhor que um cachorro poderia ser.
A noite de Natal é cantada como Noite Feliz e era exatamente assim que Elvis parecia estar: em total comunhão com a felicidade e a comunhão que o Natal sugere e com tudo mais ao seu redor.
Elvis era a imagem de um cachorro feliz.
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