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As faces da ilha

Minha história com Ilhabela é daquelas que atravessam décadas, um flerte que começou em meados dos anos 80. Sim, faz tempo! Eu era só uma adorável criança e essa viagem se mistura às minhas primeiras memórias de viagens, meio misturadas com Valinhos e Campos do Jordão. 

Ilhabela, para quem não sabe, é a cereja do bolo do litoral norte de São Paulo, a uns 200 km da capital. Mas atenção, o nome "Ilhabela" é só do município; a ilha mesmo é Ilha de São Sebastião, batizada em 1502 pelos seus descobridores – com o no nome do santo do dia, como era de costume na época. E para chegar lá? Só de balsa, cruzando o canal a partir de São Sebastião.

Voltadas para o continente, são 16 praias de águas mansas, perfeitas para um mergulho sem sustos e acessíveis com carro de passeio. Já as praias voltadas para o mar aberto, são para os mais aventureiros! Só se chega a pé, por trilhas, em veículos 4x4 ou de barco.

Muito tempo passou entre aquela viagem de criança e o meu retorno à ilha. A vida acontece e a gente só volta a se encontrar com os velhos amores quando as condições permitem. No meu caso, foi depois de conquistar meu primeiro carro, já nos anos 2000. Desde então, virei quase "habitué" em Ilhabela. Escapadas de finais de semana, férias... Em algumas dessas oportunidades, Elvis também foi a tiracolo. Sim, meu Golden Retriever peludo e apaixonado por água. Encontramos uma pousada simpática e pet friendly e o Elvis também teve o privilégio de conhecer esse paraíso.

Elvis é um nadador nato, quase um peixe. Coisa da raça. E sabendo dessa paixão dele, nossa missão era encontrar o lugar perfeito para ele praticar seu esporte favorito: buscar coisas jogadas na água, especialmente discos. E achamos o paraíso do Elvis: a Praia do Itaguaçu (ou Itaguassú). Ela fica logo depois do Mirante do Morro da Cruz e do Pier do Perequê, bem no centro de Ilhabela. O que a torna ideal? Águas calmas e, o melhor de tudo, uma faixa de areia no canto esquerdo que fica abaixo do nível da rua, um cercadinho natural para soltar o Elvis sem maiores preocupações.

Foi lá que passamos boa parte de uma manhã, nós e Elvis. 

Nossa confiança nele e a dele em si mesmo era tanta, que nos rendeu um belo frio na barriga, porque um dos discos que arremessamos ganhou vida própria com o vento e foi parar mais longe que o desejado. Com o coração na mão, só pudemos observar, da areia, o Elvis enfrentar o marzão para resgatar seu tesouro. E ele fez jus à raça, nos encheu de orgulho e espanto com sua coragem. Um verdadeiro Retriever, um cão de busca em sua essência. Esse momento, épico, está gravado em vídeo, uma prova da bravura canina.


Elvis se divertiu a manhã toda. Tanto que, no final, mal conseguia se manter em pé. E tivemos dar banho, secar e escovar, tudo com ele deitado mesmo. Esgotado, comeu e dormiu a tarde inteira. É um comportamento bem típico dele: em dias intensos como este, ele dorme horas a fio para recarregar as baterias. E isso, claro, nos deu a chance de deixá-lo tranquilamente na pousada para alguns passeios a dois.

Apesar da maratona do dia anterior, na manhã seguinte Elvis estava novo em folha! E nos acompanhou até a Praia do Jabaquara, a última acessível de carro e novamente se esbaldou com a brincadeira preferida, mas desta vez, com um pouco mais de moderação. Sábio, o meu cão.

Elvis à parte, essa viagem me presenteou com um dos lugares mais incríveis que já conheci, tanto que semanas depois voltei para passar as férias por lá: o DPNY, na Praia do Curral. Que lugar! Tudo lá é sensacional: as acomodações, a comida, os ambientes, o atendimento... É um daqueles lugares que você recomenda de olhos fechados e sonha em retornar.

Nessas férias, além de aproveitar a mordomia do hotel, exploramos com calma praticamente todas as praias voltadas para o continente. O outro lado da ilha? Ficou para a próxima (de novo). O tempo não colaborou no dia que agendamos o passeio e não conseguimos fechar um grupo. Mas caminhamos pela Vila (do centro), visitamos a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Ajuda e Bom Sucesso, inaugurada em 1806, e a Rua do Meio, um burburinho de lojas, antiquários e edifícios históricos.

Fiz muitas fotos, comprei luminárias e velas para a casa, e claro, levei umas boas e velhas picadas de borrachudo. Mesmo com repelente, que é item indispensável por lá, eles sempre dão um jeito de deixar sua marca.

Ilhabela é, sem dúvida, um dos lugares mais cativantes de São Paulo. Merece ser visitada com calma e sem pressa. Sozinho, em família ou a dois e com pôr do sol na Praia do Curral, que é imperdível.

PS: No começo desta crônica, falei sobre Ilhabela estar entre minhas primeiras lembranças de viagens. Mas há ainda uma outra lembrança associada: uma música que era hit absoluto em 1985, época desta viagem: "Companheiro", do finado grupo Dominó 

Não é uma lembrança que me dê muito orgulho, eu sei. Mas não é á toa. E antes que eu fique velho demais pra me lembrar, quero registrar aqui. É que o refrão, "Companheiro, vem no balanço do mar", sempre me faz lembrar da travessia de balsa, que nem balança tanto assim, é verdade, mas, na minha cabeça de criança, tanto a música, como a viagem ganharam o mesmo significado na minha mémória. Lembranças, enfim...

Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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