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Sobre Cavernas e Templos – Final

 

A visita à Caverna do Diabo (cujo nome real é Gruta da Tapagem), fica no município de Eldorado e foi o ponto alto de toda a viagem. Diz a lenda que o nome foi dado pelos moradores dos antigos quilombos da região, que usavam a área fresca logo na entrada da caverna para guardar e preservar a colheita porém, frequentemente encontravam os seus “estoques” remexidos ou espalhados fora da caverna e interpretavam esses eventos que, na verdade, eram fruto das ações dos animais da floresta, como trabalho do diabo.

A lenda também ganhou força porque os moradores, ao ouvir os sons das águas vindos do interior da caverna, achavam que se tratava de vozes. E que essas vozes também remetiam ao diabo.

Além disso, há uma formação num determinado ponto da caverna que pode parecer um rosto mas que, na minha opinião, nada tem de diabólico.

Li também que esta é a maior caverna do estado de São Paulo, possuindo quase 8 km de galerias já mapeadas. Mas apenas 700 metros estão abertos à visitação pública e com infraestrutura para o turismo como escadas e passarelas, que proporcionam maior segurança e comodidade para todas as idades. Não quero entrar em aspectos técnicos das formações porque acredito que não haja tantos interessados assim nesse assunto e também para não tornar este texto mais extenso do que já está. Acho que vale mais a pena tentar descrever um pouco das sensações e da experiência de visitar um local como esse.

SAIBA MAIS: Caverna do Diabo

Tive a sorte de fazer a visita em um grupo pequeno. Apenas quatro pessoas e o Reinaldo, nosso guia. Sem piadas, sem risadas, sem zueira. Apenas o respeito, a admiração e a falta de palavras diante da grandiosidade daquele lugar. Afinal, trata-se de algo muito diferente do que estamos acostumados a ver no nosso cotidiano.

A entrada da caverna é relativamente pequena e não cria grande expectativa, mas uma vez dentro, as surpresas começam a surgir a cada passo da visita. A começar pela atmosfera, densa, parece quase palpável, talvez pela umidade, talvez pela impressão de que tudo aquilo está suspenso no ar, talvez pela impressão de ter todo o peso da montanha sobre a própria cabeça.

O sistema de iluminação é eletrônico e ativado pelo guia através de um cartão magnético em diversos pontos dentro da caverna. Segundo o Reinaldo, antigamente as luzes ficavam acesas permanentemente e isso estava causando o ressecamento das formações. Por este motivo houve a mudança do sistema para que a iluminação seja acionada somente na região em que o visitante está e durante o tempo em que ele permanecer lá, desligando automaticamente depois de algum tempo.

A partir daí, a imaginação já começa a ganhar asas. Um dos salões, o que mais me impressionou, parece uma gigantesca catedral, com adornos dos mais variados tipos e altares esculpidos lentamente pelo tempo. A comparação é inevitável afinal, gosto de igrejas. Seus diferentes estilos arquitetônicos e artísticos compõem um dos patrimônios mais importantes da humanidade pois representam toda a capacidade do Homem em construir lugares que se tornem símbolo do tamanho da sua devoção, gratidão e fé em Deus, independente de como ele o conceba.

Talvez seja por isso que aquele salão tenha me impressionado tanto. Se aquele lugar fosse realmente uma catedral, seria infinitamente mais bonita que qualquer outra que eu já tenha tomado conhecimento.

Um templo construído nas profundezas da terra, em silêncio e em segredo pelas pacientes mãos do tempo numa demonstração incontestável do poder da natureza.

Ao longo da visita, outros cenários vão sendo desvendados. Inúmeros tipos de formações, galerias, precipícios e salões. Há salões que impressionam. O chamado salão das agulhas é um exemplo. Quando olhamos para cima, temos a impressão de que o “teto” é totalmente feito de agulhas, tamanha a quantidade de formações, todas apontando ameaçadoramente para baixo.

Há também um outro salão cujo nome não consigo lembrar mas que me deu a sensação de estar caminhando na superfície de outro planeta.

Mais adiante, no final do trecho aberto a visitação, o guia sugere uma experiência: Pedindo silêncio absoluto, ele informa que todas as luzes serão apagadas por alguns instantes, para dar a exata sensação do que aquele lugar é realmente. Esta foi mais uma experiência sensacional e difícil de descrever. Escuro absoluto. Visibilidade zero. Nada. Apenas a atmosfera densa e um som distante do que parece ser a movimentação das águas do riacho que corta a caverna. Ausência total de tudo.

Realmente uma visita que vale a pena e que deixa imagens que ficarão na memória por muito tempo.

Mas, em meio à toda esta contemplação, me ocorreu uma pequena reflexão. Esta é apenas uma inútil e pretensa tentativa de descrever uma experiência que é simplesmente indescritível, mas que me levou a perceber que tudo isso só é possível por um pequeno mas fundamental detalhe: Luz.

Sem luz, nenhuma criação, humana ou divina, pode ser vista. Sem luz não existe beleza. Sem luz nada parece existir.

Que neste ano que se inicia, possamos lançar mais luz em nossas vidas, nossos negócios, relacionamentos e em tudo aquilo que nos propusermos a fazer. Porque, sem luz, não haverá reconhecimento na competência, na beleza e no empenho que colocamos em nossas obras.

“Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus“.

Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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