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Sobre Cavernas e Templos - Parte 1

 


Quando eu era criança, havia na minha casa uma daquelas clássicas enciclopédias compostas de vários volumes e assuntos indexados por ordem alfabética. Por exemplo: Volume 1: de A à D, Volume 2: de E à H, e assim por diante. Eram livros enormes e pesados aos quais eu recorria sempre que precisava pesquisar algum assunto para trabalhos escolares. Não que isso seja grande coisa. Na verdade, acredito que, até pouco tempo atrás, antes da internet e do Google, muita gente tinha uma dessas em casa. A minha, não lembro o nome e nem sei que fim levou. Passamos por algumas mudanças de residência ao longo dos anos e deve ter sido largada para trás numa dessas oportunidades.

O que importa, de fato, é que aprendi muito com elas. Perdi a conta de quantas vezes, sem ter o que fazer, ficava no sofá com algum daqueles volumes no colo, folheando em busca de assuntos ou figuras interessantes. Acabava me interessando sempre por atlas, mapas e informações geopolíticas do Brasil. Sabia reconhecer a bandeira de cada estado, conhecia as regiões e os estados que faziam parte de cada uma e acredito que deve ter sido por isso que eu não pegava ninguém quando adolescente…

Mas entre todas aquelas informações havia algumas que mexiam bastante com a minha imaginação. Uma delas é o assunto desse texto: Cavernas.

Lembro claramente de uma foto da Caverna do Diabo que sempre me chamava a atenção. Em primeiro lugar pelo nome. Ficava imaginando se os visitantes eram tragados repentinamente pela terra ou desapareciam misteriosamente através de alguma passagem secreta que os levasse direto para as profundezas do inferno.

Mas também pelo fato de ser uma caverna “urbanizada”, digamos assim. Com iluminação e passarelas para os visitantes. Era o que passava pela minha cabeça aos 8 ou 9 anos de idade enquanto olhava para aquela foto.

Mas, como tantas outras coisas na vida, esses pensamentos ficaram para trás e nunca mais me visitaram até dias atrás, quando tive a oportunidade visitar um parque conhecido como PETAR na cidade de Iporanga (que significa Águas Claras em Tupi-Guarani), a 320km de São Paulo.

O acesso é feito pela Rod. Régis Bittencourt (BR-116) até o km 475 em Jacupiranga, pela SP-193 até Eldorado e finalmente pela SP-165 até Iporanga. Boa parte deste último trecho, entre Eldorado e Iporanga, tem por paisagem quilômetros de bananais e também o Rio da Ribeira do Iguape, que fazem deste, um caminho bastante bonito.

PETAR significa Parque Estadual Turístico Alto do Ribeira. Segundo seu portal na internet, o parque abriga a maior porção de Mata Atlântica preservada do Brasil e mais de 300 cavernas. Também é considerado hoje um patrimônio da humanidade, reconhecido pela UNESCO.

Nossa base nesta viagem foi a Pousada Casa de Pedra, que é um lugar simples, porém bastante confortável e organizado que fica a 500 metros do centro de Iporanga, próxima dos principais passeios do PETAR e às margens do Rio Ribeira de Iguape.

SAIBA MAIS: Pousada Casa de Pedra

Nesta jornada, visitamos apenas duas cavernas: A Caverna do Santana, segunda maior do Estado de SP, com mais de 7 km de extensão e, considerada por muitos a oitava maravilha do planeta, por abrigar alguns salões com espeleotemas ‘divinos’. Embora seja muito extensa, o trecho aberto à visitação é de cerca de 200 metros apenas. E a Caverna do Morro Preto, que possui um dos mais belos pórticos de entrada do Parque. Para a visitação das cavernas é fornecido pelo parque um capacete daqueles com lâmpada, pois não há iluminação artificial no interior dessas cavernas.

O passeio é todo guiado e muito interessante, principalmente no início, quando tudo é novidade mas pode se tornar um pouco repetitivo dependendo da curiosidade, interesse e paciência do freguês. Mas é uma experiência muito legal e vale a pena conhecer. Como menção honrosa, gostaria de registrar aqui o nome do nosso guia: Taiada. Depois da explicação inicial sobre o parque e recomendações gerais, a principal orientação era: “Qualquer dúvida, pergunta “pu” Taiada.

A programação desta viagem era a seguinte: No primeiro dia, visita ao PETAR e, no dia seguinte, um Bóia Cross no Rio Betari. Se, por acaso, sobrasse algum tempo, poderíamos visitar a Caverna do Diabo, na volta sem a necessidade de grandes desvios. Mas apenas se sobrasse tempo.

O dia seguinte chegou. E com ele, a ansiedade pelo tal bóia cross. Descobri que o Bóia Cross nasceu nas cavernas do PETAR na década de 70 e consiste simplesmente em descer o rio sobre câmaras de pneu amarradas utilizando-as como bóias. Equipamentos de segurança como capacete e colete são necessários.

A verdade é que sou meio frouxo mesmo para assuntos aquáticos. Quem leu outros textos deste humilde blog percebeu mas, desta vez, cheguei à margem do rio decidido. Decidido a desistir. Mas, depois de ver o grupo todo começando a descida e estar na iminência da solidão à beira do rio, resolvi ir também. Posso até ser frouxo para essas coisas, admito. Mas tenho que zelar pela minha imagem. Para resumir: Não é nada absurdo. Talvez nem perigoso. E o pessoal se divertiu muito. Você também provavelmente iria adorar e querer ir de novo. Eu comecei desconfortável e nervoso mas, minutos depois, além de nervoso e desconfortável, eu também estava torcendo para acabar logo. Não nasci para esportes radicais. A vida é assim. Fazer o que?

Na volta do Bóia Cross, demos carona para um rapaz chamado Maicon, que era um de nossos monitores no rio. Vinte e poucos anos, nascido e criado na região e acostumado a acampar na floresta. Ao longo do caminho contou-nos várias de suas experiências pessoais com Lobisomens, Bruxas, a Guardiã da Caverna e o Negrinho d’água, entre outras figuras sobrenaturais. É impressionante como esse povo do interior vê coisas…

De volta à pousada, não havia mais nada a fazer a não ser colocar as coisas no carro e meter o pé na estrada para a Caverna do Diabo. Havia tempo de sobra…

Continua…

Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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