O que importa, de fato, é que aprendi muito com elas. Perdi a conta de quantas vezes, sem ter o que fazer, ficava no sofá com algum daqueles volumes no colo, folheando em busca de assuntos ou figuras interessantes. Acabava me interessando sempre por atlas, mapas e informações geopolíticas do Brasil. Sabia reconhecer a bandeira de cada estado, conhecia as regiões e os estados que faziam parte de cada uma e acredito que deve ter sido por isso que eu não pegava ninguém quando adolescente…
Nossa base nesta viagem foi a Pousada Casa de Pedra, que é um lugar simples, porém bastante confortável e organizado que fica a 500 metros do centro de Iporanga, próxima dos principais passeios do PETAR e às margens do Rio Ribeira de Iguape.
SAIBA MAIS: Pousada Casa de Pedra
Nesta jornada, visitamos apenas duas cavernas: A Caverna do Santana, segunda maior do Estado de SP, com mais de 7 km de extensão e, considerada por muitos a oitava maravilha do planeta, por abrigar alguns salões com espeleotemas ‘divinos’. Embora seja muito extensa, o trecho aberto à visitação é de cerca de 200 metros apenas. E a Caverna do Morro Preto, que possui um dos mais belos pórticos de entrada do Parque. Para a visitação das cavernas é fornecido pelo parque um capacete daqueles com lâmpada, pois não há iluminação artificial no interior dessas cavernas.
O passeio é todo guiado e muito interessante, principalmente no início, quando tudo é novidade mas pode se tornar um pouco repetitivo dependendo da curiosidade, interesse e paciência do freguês. Mas é uma experiência muito legal e vale a pena conhecer. Como menção honrosa, gostaria de registrar aqui o nome do nosso guia: Taiada. Depois da explicação inicial sobre o parque e recomendações gerais, a principal orientação era: “Qualquer dúvida, pergunta “pu” Taiada.
A programação desta viagem era a seguinte: No primeiro dia, visita ao PETAR e, no dia seguinte, um Bóia Cross no Rio Betari. Se, por acaso, sobrasse algum tempo, poderíamos visitar a Caverna do Diabo, na volta sem a necessidade de grandes desvios. Mas apenas se sobrasse tempo.
O dia seguinte chegou. E com ele, a ansiedade pelo tal bóia cross. Descobri que o Bóia Cross nasceu nas cavernas do PETAR na década de 70 e consiste simplesmente em descer o rio sobre câmaras de pneu amarradas utilizando-as como bóias. Equipamentos de segurança como capacete e colete são necessários.
A verdade é que sou meio frouxo mesmo para assuntos aquáticos. Quem leu outros textos deste humilde blog percebeu mas, desta vez, cheguei à margem do rio decidido. Decidido a desistir. Mas, depois de ver o grupo todo começando a descida e estar na iminência da solidão à beira do rio, resolvi ir também. Posso até ser frouxo para essas coisas, admito. Mas tenho que zelar pela minha imagem. Para resumir: Não é nada absurdo. Talvez nem perigoso. E o pessoal se divertiu muito. Você também provavelmente iria adorar e querer ir de novo. Eu comecei desconfortável e nervoso mas, minutos depois, além de nervoso e desconfortável, eu também estava torcendo para acabar logo. Não nasci para esportes radicais. A vida é assim. Fazer o que?
Na volta do Bóia Cross, demos carona para um rapaz chamado Maicon, que era um de nossos monitores no rio. Vinte e poucos anos, nascido e criado na região e acostumado a acampar na floresta. Ao longo do caminho contou-nos várias de suas experiências pessoais com Lobisomens, Bruxas, a Guardiã da Caverna e o Negrinho d’água, entre outras figuras sobrenaturais. É impressionante como esse povo do interior vê coisas…
De volta à pousada, não havia mais nada a fazer a não ser colocar as coisas no carro e meter o pé na estrada para a Caverna do Diabo. Havia tempo de sobra…
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