Quinta – 22/08 – A luz é agradável, é bom ver o sol. Eclesiastes 11:7
Nosso penúltimo dia amanheceu lindo e ensolarado. Perfeito para nossa programação. Tomamos o café da manhã no deck da pousada, admirando a vista da praia de Maceió (São Miguel do Gostoso) e aguardando o “bugueiro”, para o nosso passeio até Galinhos, que fica numa península, no litoral norte do estado, rodeado por dunas, salinas, manguezais e um rio.
Logo deixamos a pousada rumo ao farol de Galinhos, ansiosos para descobrir as belezas que aquele lugar nos reservava. A primeira parada foi a praia de Tourinhos, onde fica também a Pedra da Baleia. Lá, quando a maré sobe, jatos de água espirram de uma formação de corais, lembrando o esguicho de uma baleia.
Saiba mais: Praia de Tourinhos
A próxima parada foi na Praia do Marco, que tem esse nome porque foi ali que, em 1501, os portugueses colocaram o primeiro marco colonizador em terras brasileiras. Atualmente, o que existe lá é uma réplica do Marco. O original foi levado para o Forte dos Reis Magos, como descrevi na parte 3 deste diário de bordo.
Em seguida, paramos em para fazer fotos no Farol de São Bento e depois, nova parada no alto de uma duna para admirar a vista da vila e da praia de Caiçara do Norte, conhecida pela sua pesca artesanal.
De lá, seguimos para a Duna e Lagoa do Capim, que é outro lugar incrível. Uma lagoa de águas mornas e cristalinas, cercada por dunas e, mais ao fundo, os gigantescos geradores eólicos. Um cenário que, não fosse o movimento das águas da lagoa, mais pareceria uma pintura, tamanha é a beleza, o silêncio e a paz que se encontra lá.
Uma paradinha rápida na Duna do André e, depois, o último e mais distante ponto do passeio, o Farol de Galinhos, localizado na Península de Galinhos. Lá apenas veículos 4×4, charretes e bugues conseguem trafegar. Da porta da pousada, em São Miguel do Gostoso, até este ponto em Galinhos, foram aproximadamente 80km de praias incríveis e quase sempre desertas, mar nos mais variados tons de azul, dunas, vilas de pescadores, surreais e infinitos campos de geradores eólicos e quilômetros e mais quilômetros de paisagens de tirar o fôlego.
A vontade era ficar um pouco mais em Galinhos mas tínhamos que continuar. Não sem uma paradinha para almoçar e repor as energias no Restaurante da Irene, que é o mais conhecido da região. É um restaurante simples que oferece pequeno bufê onde obviamente se destacam peixes e frutos do mar e paga-se por pessoa.
Saiba mais: Restaurante da Irene
Almoçamos e ficamos um tempinho no pier que há em frente ao restaurante, apenas fotografando, observando o movimento e admirando a paisagem.
Mas o tempo passou rápido e era hora de voltar. Tínhamos hora marcada para voltar à praia de Tourinhos, a primeira do passeio, para ver o pôr do sol, que disseram ser espetacular. Subimos no bugue e partimos para Tourinhos. Desta vez, sem paradas pois nosso tempo era contado. O caminho da volta era o mesmo da ida mas, mesmo assim, surpreendia. A paisagem havia se transformado completamente. Em parte pela luz do dia, bem mais suave naquele horário mas, principalmente pela subida da maré, que alterou completamente o panorama das praias. Muitos dos lugares por onde passamos na ida, haviam sido tomados pelo mar, obrigando o bugueiro a fazer desvios e manobras, as vezes ousadas, para contornar as áreas alagadas e preservar ao máximo o trajeto pela praia, conforme havia sido prometido.
Chegamos na praia de Tourinhos no horário ideal. Acompanhamos alguns pescadores finalizando seu último trabalho do dia com as redes, ali mesmo na praia, enquanto outras pessoas chegavam para testemunhar aquele espetáculo inesquecível que estávamos prestes a presenciar. E assim foi. O sol desceu lentamente, transformando, aos poucos, o azul do céu praticamente sem nuvens, num alaranjado fantástico e cada vez mais vivo à medida que se aproximava do horizonte. Para mim o cenário perfeito; uma linda praia de águas calmas, um céu alaranjado, ao fundo, os meus quase míticos geradores eólicos e o sol, majestoso, em sua trajetória, indicando o fim de mais um dia de ricas experiências em terras potiguares, um dos mais abençoados e especiais da minha vida. Mais um momento digno de ser eternizado numa pintura, ou numa fotografia, como essa que tive a felicidade de fazer e que ilustra este texto. Mais uma imagem que dificilmente se apagará da minha memória. Mais um momento para onde a minha mente vai me levar sempre que eu pensar em um lugar de paz e beleza ímpar.
Este passeio de bugue até Galinhos foi extremamente rico e altamente recomendável mas, apesar de toda a contemplação, é importante saber que, quase oito horas andando num bugue pode ser um tanto quanto desconfortável e cansativo. Também é muito importante saber que, em determinados momentos do dia, o sol pega forte. Portanto, itens como chapéu, boné e protetor solar e agua, são bastante importantes para aproveitar bem a jornada e chegar “inteiro” até o seu cinematográfico final.
A noite ainda nos reservou um jantar no Pizzaria Quintal. Um lugar descontraído e rústico, mas elegante. As mesas estão distribuídas num verdadeiro quintal. Há arvores, plantas e muito vasos de flores. O ambiente à meia-luz, super gostoso e romântico. A pizza possui massa bem fininha mas o recheio é delicioso. O preço é justo e vale muito a visita.
Sexta – 22/08 – Mais um dia lindo em Gostoso. Nosso tempo estava se esgotando e resolvemos finalizar esta viagem conhecendo a praia da Ponta de Santo Cristo e mais um dos points de São Miguel do Gostoso, o bar J. Sparrow´s. Com chão parte de areia, parte gramado e as instalações de madeira, eles oferecem boa infraestrutura com mesas e cadeiras em local coberto. É super sossegado, muito legal para “pegar” um sol numa espreguiçadeira ao som de uma boa seleção musical.
Ainda era cedo e fazia pouco tempo desde o café da manhã, então resolvemos tomar apenas um suco para refrescar. Eu conversava um pouco com os proprietários, o catalão Jordi e sua esposa Janine, sobre lounge music, que me pareciam a trilha sonora favorita do estabelecimento.
E quando, finalmente, havíamos desacelerado e entrado no clima daqueles incríveis paraísos nordestinos, chegou a hora de voltar. Assim, de repente. E os dez dias que, no início, pareciam mais do que suficientes, passaram num piscar de olhos. Mas fizeram valer a pena cada minuto que passamos em terras potiguares e cada centavo investido numa viagem como esta. Sim. Investido. Porque ver de perto tantas belezas naturais, visitar pequenas cidades que, até pouco tempo atrás eram simples vilas de pescadores, que aprenderam a receber com alegria e simpatia seus turistas e oferecer serviços com excelência e charme sem perder sua simplicidade e sua essência, além de conhecer uma gastronomia regional repleta de cores e sabores, são experiências culturais riquíssimas que ficam para vida toda.
Foram aproximadamente 250km de praias incríveis, desde Barra do Cunhau até Galinhos, que guardarei na lembrança com especial carinho.
Das viagens que fiz até hoje, considero esta a melhor de todas. Só fiquei meio chateado porque descobri, depois já em casa, que estive bem perto do Marco Zero da BR101 e do Farol do Calcanhar, também conhecido como Farol de Touros, que é o maior do Brasil e fica numa região conhecida como esquina do continente. Realmente um pena. Tivera este conhecimento antes, certamente eu o teria incluído no roteiro desta viagem. Eram lugares especiais que eu gostaria de ter visitado, e que deixaram uma lacuna na minha “best trip forever“. É por este e por outros motivos que tenho para mim que minha história com São Miguel do Gostoso ainda não acabou e que certamente haverá uma nova oportunidade de ver e viver o que o tempo não permitiu desta vez.
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