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Pra depois da conversa

Já escrevi mais. O que não quer dizer: melhor.

Há tempos não escrevia. Mas precisava escrever hoje. Sem motivos nem objetivos, apenas escrever. Qualquer coisa. Então resolvi escrever sobre "escrever" e de que maneira esse processo se deu na minha vida. Não acho que eu escreva bem e nem que o que eu escrevo seja importante. Apenas gosto de escrever.

Você poderá pensar que este texto é fruto de total falta de assunto ou mesmo preguiça de escrever sobre temas mais relevantes, o que, de certa forma, é verdade.

Como boa parte das pessoas, eu também ando bastante indignado com o que está acontecendo no país. Tenho visto, ouvido e lido muito sobre o assunto, o que já me aborrece o suficiente. Além disso, não será escrevendo sobre política num blog que ninguém lê que ajudarei a mudar algo. Já tem gente até demais fazendo isso por aí e sem um pingo de isenção, o que é pior. A minha parte eu tento fazer trabalhando, pagando impostos, procurando ser honesto e depender o mínimo possível do governo.

Mas, voltando ao tema, gosto de escrever. Já disse. E há algumas razões para isso. Acredito que há pensamentos ou reflexões que parecem melhores ou mais bem definidos quando escritos. Escrevo porque nem sempre encontro interlocutores interessados o bastante para estabelecer uma conversa sobre o assunto. Escrevo para organizar ideias. Escrevo para descobrir que, às vezes, nem eu mesmo acredito naquilo que acabei de escrever e não são raras as vezes que apago tudo para recomeçar a partir de outro ponto de vista.

Desenvolvi esse hábito (se é que posso chamar assim), por volta dos 15 anos. Sou de 77. Estamos falando de 91/92. Escrevia pequenas histórias de terror e suspense. Um pouco influenciado pelos livros de Sherlock Holmes e outros que eu costumava ler na época. Eram histórias bobas (as minhas). Os personagens eram pessoas que eu conhecia e era legal ter o poder de escolher os mocinhos, os vilões, o meu par romântico e decidir o destino das pessoas na história de acordo com o grau de amizade e/ou simpatia que eu tinha por elas.

Que eu lembre, nunca mostrei essas histórias à ninguém. Felizmente.

Mais felizmente ainda, nunca vou mostrar. Até porque não existe mais nenhum vestígio desses papéis (sim, antigamente a gente escrevia em papeis). Primeiro, porque nunca me orgulhei muito deles. Depois, porque foram todos queimados em algum momento junto com documentos antigos. E se alguém disser que viu, negarei até a morte.

Algum tempo depois, já em meados do ano 2000, meu interesse por aprender a tocar bateria me levou, junto com alguns amigos, a montar uma "bem sucedida" banda de pop rock. Obviamente não nos tornamos famosos e nem tivemos a felicidade de viver de música. Entenda bem: esse "bem sucedida" se deve, a meu ver, ao fato de que o principal objetivo da banda foi atingido. Ou seja, conseguimos mais do que aprender a tocar algumas músicas e fazer alguns covers. Aprendemos também a compor e a transformar as experiências pessoais de cada um em canções. Em dois anos, nosso trabalho rendeu uma serie de canções e quatorze delas foram escolhidas para um CD demo que resolvemos gravar.

O trabalho com a banda continuou, outras gravações foram feitas e o legado desse período especial pode ser resumido em pelo menos quarenta canções. Algumas gravadas em estúdio com qualidade profissional. Outras gravadas de forma caseira apenas para registrar a ideia. E outras ainda que ficaram apenas na lembrança, sem falar nas dezenas de letras não aproveitadas. Obviamente, escrever foi parte essencial neste trabalho.

Vencer o medo e mostrar as primeiras letras não foi fácil mas, com o tempo, passou a ser natural. Nasceram parcerias e, de repente, chato era escrever sem ter para quem mostrar.

Escrevi muita coisa em formato de letra nesse período, compartilhei quase tudo com meus amigos de banda mas, infelizmente, hoje tenho muito pouco. Perdi um disco rígido e, com ele, boa parte do que eu tinha escrito. Talvez eles ainda tenham alguma coisa, quem sabe ? Preciso perguntar.

Mas a vida seguiu seu curso e, depois de deixar a banda, escrever letras já não fazia mais tanto sentido pra mim. Porém, a necessidade de escrever ainda estava lá. Foi então que passei a escrever textos como este, relatos de viagens, experiências e opiniões. Nunca me referi a eles como crônicas pois, até pouco tempo atrás, não entendia bem as diferenças entre crônicas, artigos, contos e ensaios. Hoje sei que os textos que escrevo podem ser considerados híbridos porque possuem características, tanto de crônica, quanto de artigo. E, portanto, posso chamá-los de crônicas, sem medo. Ou de artigos, se assim eu quiser. Mas prefiro chamar de crônica mesmo porque acho mais "style".

Não chega a ser tão divertido quanto ver uma letra ganhar vida numa canção e até ser cantada por outras pessoas. Mas supre a necessidade de escrever e de compartilhar.

E foi exatamente por isso que este blog nasceu. Vi nele uma forma de compartilhar reflexões como esta e de manter meus textos organizados para que não se percam novamente em outros HDs da vida. Tenho o projeto de um dia, quem sabe, reunir todas essas crônicas, ou pelo menos as melhores, num livro. Hoje há meios de imprimi-los por demanda e com baixo custo. Certamente precisarei de ajuda para uma revisão gramatical e também para a escolha dos textos mas, que seria muito legal ter um exemplar em casa pra chamar de meu, sem dúvida seria!

À propósito, vasculhando arquivos antigos em outros discos rígidos, encontrei uma das últimas coisas que escrevi ainda em época de banda. Acredito que se encaixa bem na temática deste texto porque fala sobre os sentimentos que podem acompanhar o fim de algo, de escrever sobre isso e de como estas memórias podem se tornar imortais quando compartilhadas.

Pra Depois da Conversa
Fabior Fonseca -2004

Fica um gosto ruim
De uma briga de egos
Uma imagem no espelho
Fica um rosto molhado

Falta um rastro na areia
Uma imagem no quadro
Um compasso no samba
Falta achar um culpado

Hoje corro destes medos
Que derramas sobre mim
Hoje fujo da tua dor
Que só quer doer em mim

Se a canção que fizeste
Nestas folhas surradas
Criar asas e voar livre
Pelos ares e janelas abertas

Achará repouso num peito rasgado
Correrá como sangue nas veias
E será porta-voz de tuas memórias
Com o poder de tornar-te imortal

Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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