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De Volta à Ilha - Parte 1

 

Me dê aí um agradinho...

Não posso negar. Meus textos estão se tornando cada vez mais extensos. Mas não é por acaso. Na verdade, percebi que, tanto quanto as fotos, eles podem se tornar valiosos registros, conhecidos como diários de viagem. O que me permitirá, no futuro, reviver com riqueza de detalhes cada uma das experiências destas viagens. Poderei revisitar minhas impressões e opiniões sobre tudo que vi e vivi em cada uma delas e relembrar cada passo em ordem cronológica. Afinal, anoto muita coisa “in loco” para editar o texto todo depois e, há tempos, estou convencido que este, além de ser um exercício interessante, me parece mais inteligente do que confiar apenas na memória e, inevitavelmente, esquecer de tantos detalhes preciosos que uma viagem pode proporcionar.

Fiz questão desta breve introdução apenas para organizar as minhas ideias, limpar minha consciência e escrever sem quaisquer preocupações outras.

Obviamente, vou me ater apenas àquilo que considero relevante e ao que, com certeza, vou gostar de relembrar no futuro, quando reler este diário.

17 de Maio de 2016

De todos os lugares que andei visitando nos últimos anos, este foi o único que eu disse que dificilmente retornaria. Ironicamente, foi o único para onde retornei: Morro de São Paulo, na Bahia.

Andei acompanhando a previsão do tempo para a semana desta viagem e, dos lugares que me interessavam e para onde minhas economias poderiam me levar, apenas o sul da Bahia tinha previsão de tempo bom.

Como já descrevi em outro texto desses, chegar à Morro de SP é meio complicado. Pensando nisso, conversei com o Kleber, da Bahia Passeios – meu contato para traslados em Salvador – e ele me propôs um trajeto alternativo que decidi experimentar. Conhecido como semi-terrestre, ao invés de tomar um Catamarã direto de Salvador para Morro de SP, a opção consiste em seguir de barco de Salvador para a Ilha de Itaparica, mais especificamente até o terminal de Vera Cruz, numa travessia que dura em torno de 40 minutos. De lá, um micro-ônibus até o atracadouro Bom Jardim, próximo à Ponta do Curral, já no município de Valença, que leva cerca de 1h40 e, finalmente, uma lancha rápida até Morro de SP, que leva algo em torno de 15 minutos.

Sinceramente, não achei uma boa escolha. Embora o preço e o tempo de viagem, na prática, sejam equivalentes, a troca de transportes me pareceu bem mais cansativa. De qualquer forma, não deixa de ser uma boa opção para quem tem problemas de enjoo no mar. Eu logo o saberia.

Outro inconveniente desta escolha foi esperar por duas horas em Salvador pela saída do barco para Itaparica. Tentamos aproveitar este tempo livre conhecendo o Elevador Lacerda e o Largo do Pelourinho. Não me interessei pelo Mercado Modelo. De qualquer forma, todos muito próximos do terminal marítimo.

Infelizmente, o que posso dizer é que foi uma aventura. O que deveria ser um simples e descompromissado passeio à pé, acabou sendo uma chata e estressante caminhada. O assédio aos turistas lá é irritante e a oferta de produtos e pedidos de contribuição para os mais diversos fins chega a ser agressiva, até para dar uma olhadinha numa roda de capoeira na rua você “tem que pagar”.

Caminhando sozinhos, fomos abordados o tempo todo, de todas as formas e por todo tipo de gente. Eram as ciganas com suas rezas, as fitinhas do Bonfim, os guias se oferecendo para um “tour completo”, entre outros, que sempre chegam oferecendo algum presentinho para, em seguida, te constranger a comprar alguma coisa que você não quer.

“- Se preocupe não, me dê aí só um agradinho” – eles dizem.

Se você vacilar e der papo, com certeza vai acabar gastando sem querer e muito mais do que gostaria.

Eu já havia lido à respeito mas acabei constatando por experiência própria que todos aqueles comentários que li na internet não eram de forma nenhuma exagerados. E foi irritado, tenso e desconfiando até da minha própria sombra que conheci bem rapidamente apenas a Igreja de São Francisco e o casario que fica no caminho entre esta igreja e o Elevador Lacerda. Tínhamos a intenção de visitar a sorveteria “A Cubana”, que era perto, mas acabamos mesmo preferindo voltar correndo ao terminal marítimo, onde nos sentimos mais seguros para esperar o horário de saída do nosso barco.​ Povo chato!

Com certeza teria aproveitado bem melhor estas duas horas em Morro de SP se tivesse embarcado logo no Catamarã das 10hs. Enfim, experiências. Se você um dia quiser conhecer melhor Salvador, especialmente a região do Pelourinho, sugiro que contrate um guia antecipadamente. Isso com certeza vai te poupar de muita amolação.

Saiba mais: Largo do Pelourinho – Salvador.

Depois de toda a peregrinação do trajeto semi-terrestre, finalmente chegamos a Morro de SP e, assim que começamos a caminhar pela vila, fomos tomados por aquela sensação boa, tipo:

– Nossa! Parece que foi ontem que estivemos aqui!

Parecia que havia entre nós e aquele lugar uma certa intimidade, como se tudo estivesse do mesmo jeito que deixamos em nossa primeira visita.

Fizemos reserva na pousada Bahia Bacana e foi direto para lá que seguimos assim que desembarcamos no cais de Morro. A pousada fica logo na primeira praia e tem cara de novinha. É uma pousada pé na areia que tem quartos confortáveis, embora não muito espaçosos, um bom café da manhã, uma bonita piscina de borda infinita com vista para a Primeira Praia que, sinceramente, me pareceu maior nas fotos do site da pousada. O atendimento é bom e o destaque fica por conta de uma toalhinha gelada que a gente recebeu na chegada, para refrescar o calor da super subida entre o cais e a vila. Apenas lembrando que não há carros lá. Tudo é feito à pé e ou com a ajuda de carrinhos de mão.

Saiba mais: Pousada Bahia Bacana.

O primeiro jantar foi um verdadeiro achado. Descobrimos, por acaso, meio escondidinho, um pequeno restaurante caseiro chamado Frigideira de Barro. Eles oferecem pratos típicos da região e também pratos “executivos” com preços bem acessíveis. Mas nossa grata surpresa foi uma moqueca mista, super recomendada por um casal que terminava o jantar quando chegamos. Fizeram tantos elogios ao prato que aceitamos a sugestão. Realmente sensacional a Moqueca Mista do Frigideira de Barro. Preparada na hora, ela chega borbulhando numa vasilha de barro e é chamada de mista porque é feita com camarão e peixe e vem acompanhada de pirão, arroz e farofa.

Saiba mais: Restaurante Frigideira de Barro.

Continua…

Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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