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De Volta à Ilha - Parte Final

Morro de Saudade
23 de Maio de 2016

O tempo voou nestes quatro dias em Boipeba.

Quando nos demos conta, já estávamos de mala e cuia aguardando a lancha que nos levaria de volta para Morro de São Paulo. Não sem antes percorrer a segunda parte do passeio que completou a “Volta a Ilha”, conforme eu havia combinado previamente.

Se a primeira parte do passeio aconteceu por mar, a segunda foi toda por rio. O que torna a viagem bem mais tranquila e sem solavancos ou “quiques”.

Basicamente, o roteiro previa seguir pelo Rio do Inferno até o bar flutuante de Canavieiras para degustação de ostras frescas e caranguejos. Em seguida, uma rápida parada em Cairu para visita ao Convento de Santo Antônio e, finalmente, retorno ao cais de Morro de São Paulo.

O Rio do Inferno, que divide as ilhas de Boipeba e Tinharé, tem esse nome porque, segundo a lenda, por ser muito raso e de difícil navegação, as embarcações dos portugueses encalhavam e acabavam atacadas pelos índios Aimorés, que eram canibais. Deve ter sido um inferno mesmo!

O bar flutuante de Canavieiras, diferente do que o nome possa sugerir, é um lugar extremamente simples e, tanto o caranguejo como as ostras, são frescas e preparadas na hora. Sinceramente não me apeteceu, nenhum dos dois, principalmente o caranguejo, que é cozido vivo e destrinchado na paulada. A meu ver, muito sofrimento em troca de um “fiapo” de carne. Uma crueldade com um animal que tem tão pouco a oferecer.

A parada em Cairu foi apenas por 30 minutos, tempo suficiente para visitação do Convento de Santo Antônio. Nessa parada preferi aguardar no cais. Afinal, tinha que pagar para entrar na cidade, pagar para as crianças te deixarem em paz, pagar para entrar no convento e, acredito até que pagar para sair também. Naquele momento específico, eu sinceramente não estava muito a fim. Achei muita exploração por uma atração que, de acordo com o que eu havia lido, nem oferece tanto assim.

SAIBA MAIS: CONVENTO DE SANTO ANTÔNIO.

Fechando o passeio, voltamos ao cais de Morro de SP contemplando um belíssimo fim de tarde de céu avermelhado.

SAIBA MAIS: PASSEIO VOLTA A ILHA.

Nossa última noite em Morro de SP, acabou sendo na pousada Minha Louca Paixão, que era nossa primeira opção no início mas, infelizmente, não havia disponibilidade para o período. O último jantar acabou sendo no Kartari, na Segunda Praia e, só para variar o cardápio dos últimos dias, optamos pelo Frango à Parmegiana da casa, que é muito bom e serve três pessoas tranquilamente.

SAIBA MAIS: POUSADA MINHA LOUCA PAIXÃO.

SAIBA MAIS: KARTARI.

24 de Maio de 2016

O retorno à Salvador estava marcado para as 11h30 da manhã. Desta vez de Catamarã. Eu tinha achado a opção semi-terrestre um tanto quando cansativa e, como não tive problemas de enjoo na outra vez em que estive em Morro, preferi o jeito mais fácil. Além do mais, tinha feito outros passeios de barco nesta viagem, inclusive o da lancha “quicadora” e não senti nada. Estava seguro e confiante como um verdadeiro homem do mar.

O dito popular diz que o seguro morreu de velho e, por causa disso, preferi tomar “meio” Dramin, só para garantir. Mas alguma coisa deu errado. Provavelmente um conjunto de fatores. O que sei é que passei mal que nem gente grande.

Na noite anterior, o tempo havia mudado um pouco em função de uma frente fria que passava pelo sul da Bahia em direção ao oceano, deixando o mar um pouco agitado. Ok. Eu sabia e estava psicologicamente preparado. Afinal, não poderia balançar mais do que a lancha.

Entramos na embarcação, que é relativamente grande e a orientação dos funcionários era para buscar os assentos do meio, onde sentia-se menos o balanço. Mas logo ao entrar, verifiquei que havia saquinhos plásticos amarrados no encosto de cabeça de todos os assentos.

Aquela imagem me causou um certo impacto que procurei ignorar enquanto me acomodava no assento mais centralizado possível, um que ficava de frente para um aparelho de TV desligado. Imaginei que durante a viagem poderiam exibir qualquer coisa que me distraísse. De fato, alguns minutos após a partida, um funcionário colocou um DVD da dupla Jorge e Mateus e imagino que foi a partir daí que meus problemas começaram.

Mais ou menos trinta minutos, o equivalente a cinco músicas, foi o que consegui suportar. O mar realmente se mostrava bastante agitado. Enquanto o catamarã subia e descia aquelas ondas, às vezes até com algum impacto, eu tentava abstrair as vozes e as letras das músicas e concentrar minha atenção apenas na parte instrumental, buscando identificar o estilo de cada músico ou referências mais rock n´roll em seus acordes, viradas e solos. Não adiantou. O mal estar foi aumentando gradativamente. Conferi se no meu assento também havia um saquinho, caso eu precisasse. Minutos depois achei melhor ficar com o saquinho na mão (no bom sentido, é claro), só por precaução. Mais alguns minutos e, quase por reflexo, eu já o tinha utilizado, sem qualquer chance de resistir.

Rapidamente olhei ao redor procurando o banheiro. Levantei e, tentando permanecer em pé em meio à todo aquele balanço, joguei o saquinho usado no lixo, lavei o rosto e a boca e voltei para o meu lugar. Não resisti nem mais uma música inteira e me vi forçado a usar um novo saquinho que “roubei” de outro assento.

Meio puto, levantei novamente e percebi que o fundo, ou melhor, a parte traseira da embarcação, também conhecida como popa, era mais aberta e tinha melhor circulação de ar e era distante o suficiente do Jorge e Mateus. E foi lá mesmo que fiquei, com o estômago embrulhado, olhando Morro de São Paulo cada vez menor no horizonte até quase desaparecer.

Nos 90 minutos em que fiquei ali, me senti um pouco melhor. Ainda assim fui obrigado a fazer uso de mais dois saquinhos, mas apenas como uma ação instintiva mesmo, não havia mais nada no estômago para eliminar.

Já próximo de Salvador um dos funcionários do catamarã passou por mim, e vendo o meu estado, sugeriu que eu mudasse de lugar novamente. Ao invés de ficar olhando para trás, pediu que eu ocupasse um lugar na lateral onde pudesse olhar para frente, com vento no rosto, vendo Salvador se aproximar. Foi o que fiz. À essa altura já estávamos entrando na Baia de Todos os Santos. O balanço foi diminuindo gradativamente e com ele também o meu mal estar.

Sinceramente não sei porque o Dramin não fez efeito desta vez, nem sono deu.

Que ninguém me ouça, ou leia, mas acho que os DVDs do Jorge e Mateus deveriam vir com bula ou com a seguinte informação:

Este DVD não deve ser utilizado em conjunto com medicamentos antieméticos, anticinetóticos e antivertiginosos, pois anulam seu efeito no controle de náuseas, vômitos e tonturas causados pela doença do movimento – cinetose e no controle da crise aguda dos transtornos da função vestibular e ou vertiginosos, de origem central ou periférica, incluindo labirintites.

LOCAIS GOOGLE MAPS

Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!.
Fabior

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