Vão ao trabalho e, quando acordamos, não estão mais em casa. Vão para trazer nosso sustento.
Se vão quando nos deixam na escola no primeiro dia de aula, com o coração em pedaços por terem que nos deixar. Não querem, mas precisam.
Se vão quando nos deixam na casa das tias ou mesmo na casa de algum amigo do colégio ou do balé, para buscar logo mais às 20 horas. E pode parecer que não, mas contam no relógio o tempo que resta pra nos buscar.
Se vão, mas logo retornam com o pão doce para o café de domingo. Eles vão embora de nossas casas quando se tornam visitas, deixando em nosso novo lar aquele ar saudosista de velho lar e colo de mãe, quando na despedida dizem de forma clichê: "- a gente nao demora a voltar" - Como forma de consolo ao vazio que ficará por dias após a partida deles.
Se vão, mas usam jargões criados por eles próprios, talvez para amenizar o vazio que nós também deixamos.
Eles vão, mas sempre voltam.
Voltam quando toca o sino da escola e lá estão eles esperando por nós na saída. Voltam com pressa para um almoço. Voltam para nova visita em nossa casa e trazem consigo o cheiro da infância e juventude, onde não nos preocupávamos tanto em como será quando eles se forem para sempre.
Os pais se vão, mas sempre voltam. Ou quase sempre.
Um dia eles vão e não voltarão mais.
Vão para cumprir outras etapas onde não faremos parte fisicamente destas e só nos restará a saudade e as boas memórias.
Vão deixar aquele vazio de uma última visita não feita. O cheiro de infância que os acompanhavam não mais será renovado. O café aos domingos e a broa quente nunca mais terão mesmo sabor.
E a partir daí, começa a grande luta da memória com o tempo. Nessa hora, já seremos pais, teremos filhos e o sentido de muita coisa começará a rasgar nossa consciência e mostrar o quanto a realidade é dolorosa na maioria das vezes.
Viva seus pais enquanto eles podem voltar para sua escola, sua casa, seu abraço ou até para aquela discussão interminável cheia de sermões.
Sejam pais e mães que voltam sempre. Ou sempre que a decisão de voltar pertencer a vocês.
Deixe-os envelhecer com o mesmo amor que eles te deixaram crescer.
Permita que falem e contem repetidamente as histórias com a mesma paciência e interesse que eles escutaram as suas quando você era criança.
Deixe-os conviver com seus amigos, conversar com seus netos, deixe-os viver entre os objetos que os acompanharam ao longo do tempo, para não sentirem que arrancaram pedaços de suas vidas.
Perdoe-os pelos esquecimentos. Não os julgue por isso. Afinal, a vida providencia tais ocorrências para que naquele momento próximo à partida, eles estejam de alma limpa, assim como chegaram a esse mundo.
Deixe que vivam e procurem fazê-los felizes na última parte do caminho que lhes falta percorrer, do mesmo modo que eles te deram a mão quando você iniciava seu caminho.
Viva-os de forma que a espera entre a partida e o reencontro seja só com muitas saudades e sem angustias e nem remorsos.
PS: Este texto, atribuído a William Wesley, circula amplamente na internet e oferece uma reflexão sensível sobre a perda dos pais. Fica aqui esta observação para os devidos créditos.

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