DISCLAIMER: este texto não foi gerado por IA. — ou será que foi??
Eu acho que já dá pra dizer que, de uns dois anos para cá, as IAs (inteligências artificiais) revolucionaram o jeito de fazer muitas coisas no ambiente digital, seja ele no mundo corporativo, do empreendedorismo ou pessoal mesmo.
A geração de conteúdos como relatórios, imagens, músicas, vídeos e textos, que vão desde memes até complexos sistemas de automação corporativos tem alcançado patamares impensáveis há alguns anos.
Com isso, vários debates se acenderam sobre a produção de conteúdo original.
Neste post, quero tratar apenas sobre a produção de textos. Afinal, é o que mais vejo no dia a dia.
Confesso (e talvez não seja apenas eu), que já começo a sentir um certo incômodo ao ler determinados textos na internet. Algumas vezes, lá pela terceira frase, já é possível perceber que tem algo meio "estranho" ou "genérico" ali.
Aqueles que tem contato frequente com as IAs, seja para pesquisas, analises de dados ou apenas entender pontos de vistas diferentes sobre determinados temas (e eu sou um desses), começam a perceber certos padrões ou vícios de linguagem nos textos produzidos pela IAs.
Pois é, irônico, não? Nada mais humano do que vícios de linguagem.
Pode até ser irônico, mas não chega a ser um absurdo. Afinal, elas (as IAs), são treinadas com modelos e conteúdos produzidos por humanos.
Entre estes rastros, ou vícios, posso citar alguns exemplos do que venho percebendo:
- O uso excessivo daqueles travessões — como uma pausa dramática — no lugar da vírgula.
- A "mania" de quebrar todas as respostas em:
Titulos
Subtitulos
- itens
- Há também aquelas expressões tipo auto ajuda que sempre finalizam um pensamento dizendo que tudo "é um convite a reflexão..." ou "um chamado para ir além... ".
Tem até uma estrutura que eu chamo de cascata (sem saber se é esse mesmo o nome), onde o texto fica naquele jogo de "não é sobre X, mas sobre Y; não é sobre o destino, é sobre a jornada" "não é sobre gramática, é sobre a intenção", etc, que até soa bonito na primeira vez, mas depois de ler dez vezes no mesmo dia, já começa a parecer clichê motivacional barato.
Talvez as IAs utilizem essas fórmulas porque aprenderam em algum lugar que elas entregam algum valor ou profundidade.
O problema é que, o uso recorrente e banalizado de qualquer recurso que seja, pode acabar tirando o seu valor e transformando qualquer boa ideia, expressão ou metáfora bem elaborada em meros clichês com aparência polida.
Mas o negócio piora quando descobrimos que, além da IA que produz textos, tem também a IA que identifica textos escritos por IA.
Se, por um lado, há riscos na utilização indiscriminada de textos escritos por IA, por outro, também há riscos em utilizar uma IA para fiscalizar isso. O principal deles é de que essas ferramentas de detecção de IA estejam, na verdade, gerando falsos positivos e punindo quem se esforça para escrever com clareza.
Outro dia, fiz um teste que me deixou bem pensativo: peguei textos meus escritos lá em 2015, 2016, muito antes dessa explosão tecnológica e joguei nesses sites que dizem identificar robôs. O resultado? Disseram que meus textos eram entre 80% a 90% produzidos por inteligência artificial.
E isso não é uma exclusividade minha. Dê uma olhada neste artigo da Infomoney
É a lógica do mundo invertido. Se você organiza bem o raciocínio, usa a gramática corretamente e tem um começo, meio e fim bem estruturados, você vira suspeito.
Não me parece muito justo classificar um conteúdo levando em conta apenas se está bem escrito ou não. Quanto mais bem escrito, maior a chance de ter sido produzido por IA?!? Um completo despautério... (Essa foi só para provocar um pouco mais sua desconfiança).
E sabe o que descobri enquanto fazia meus testes? Que também existe uma IA que humaniza textos produzidos por IA, para enganar a IA que detecta textos produzidos por IA. Essa eu nem testei porque aí também já é demais. É o próprio circulo vicioso da enganação.
Quem usa a IA para identificar textos produzidos por IA, pode cair no mesmo erro de quem usa para produzi-los e dos que usam para humanizar seus textos artificiais. Estão no mesmo balaio, procurando uma solução simples e rápida para algo um tanto complexo.
O que fazer, então?
Parar de se preocupar em escrever corretamente, é uma opção. E, pelo que vejo no dia a dia, parece que muita gente já entrou nessa. Afinal, como diz o José Simão: "No Brasil, todo mundo escreve errado, mas todo mundo se entende."
Outra opção é aprender algo com as IAs. Nem que seja a escrever apenas. Teste tons e estilos diferentes, revise os resultados, pense na edição e na estruturação do seu texto. Evite o simples, puro e, quase cego, "CTRL C / CTRL V".
Em casos extremos e pontuais, quando houver dúvida sobre a autoria de algo, talvez a saída seja uma conversa com o autor. Em cinco minutos é possível avaliar, de forma muito mais segura, se foi ele mesmo quem construiu aquela narrativa ou por que escolheu aquela metáfora.
O fato é que temos na palma da mão uma ferramenta fantástica que chegou trazendo agilidade e possibilidades de automação para tarefas repetitivas e rotineiras. Que transformou nossa maneira de pesquisar e consumir informações e de buscar conhecimento.
O grande risco que eu vejo nisso tudo, não é nem se a IA deixa rastros ou não. Até porque, tudo evolui e, em algum momento, esses rastros que chamei aqui de "vícios", certamente serão corrigidos e, em breve, talvez nem seja mais possível desconfiar se um texto foi produzido por humano ou por IA.
O grande risco é, sim, a nossa própria atrofia.
É o risco de a gente resolver terceirizar tudo, até uma simples mensagem de "feliz aniversário" para os chat gpts da vida, passando a delegar as necessidades mais básicas de comunicação para um algoritmo. É perdermos a nossa voz e, principalmente, a capacidade de pensar por conta própria.
Penso que a IA deve ser o ponto de partida ou o parceiro de brainstorm, mas a alma do texto, aquele traço de personalidade e até os eventuais erros de concordância ou de virgula (e esse eu cometo vários), tem que ser nossos.
No fundo, talvez seja isso que defina o autor — ou não. Afinal, não é sobre o autor, mas sobre a mensagem — mas é sobre o autor também. Não é sobre o que a IA pode produzir, mas sobre o que o ser humano pode criar. É um convite à manutenção de uma impressão digital genuína — com o perdão do trocadilho ruim — É um chamado à preservação da autenticidade online.
Os recursos evoluíram. Antes eram as bibliotecas, hoje as IAs nos trazem em segundos o que levávamos horas, talvez dias, em pesquisas. E, no final, se tudo parecer organizado, consciente e limpinho demais, talvez seja um rastro de inteligência artificial ou apenas o resultado de alguém que procura aprimorar continuamente sua forma de escrever, que lê diariamente, que pensa sobre e/ou revisa seu trabalho com cuidado.
Se, ainda assim, restar dúvidas, vá lá e peça a ajuda de alguma IA, mas lembre-se:
Como diria Humberto Gessinger: É preciso fé cega e pé atrás.
Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior
1 Comentários
Esse comentário não foi um comentário produzido por IA. Que a correria da vida , os problemas cotidianos nunca tirem de você a inteligência poética e a vontade de registrar seus pensamentos. Love tou to the moon and back .
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