Partindo de São Paulo, é possível chegar lá utilizando as rodovias SP-280 (Castelo Branco), a SP-300 (Rod Mal. Rondom), na altura de Botucatu e a SP-255 (Com. João Ribeiro de Barros). Mas prepare-se para os pedágios salgados da Castelo.
Há tempos estava devendo um passeio para meu pai. Só eu e ele. Botando o assunto em dia, conversando sobre amenidades, sobre suas andanças na juventude, sobre as minhas viagens recentes, sobre os passeios e viagens que fizemos juntos ou apenas comentando as paisagens que surgiam a cada curva da estrada.
Acabei me interessando por este destino e também pela oportunidade fazer um passeio de barco pelo Tietê, obviamente bem mais limpo do que na cidade de São Paulo e não foi difícil convencê-lo a embarcar (literalmente) na ideia.
Passear de barco por um Tietê limpo é ver como a convivência entre o Homem e a natureza pode resultar numa troca interessante de preservação por desenvolvimento turístico.
Ver um Tietê limpo, navegável, onde as pessoas podem pescar, andar de "jet-ski", lancha e até nadar (com direito a mergulho de cima de uma ponte, para os mais aventureiros), me proporciona uma sensação gostosa! É uma relação Bonita, a de Barra com o rio!
O passeio que fizemos nos levou 15km rio abaixo até uma fazenda que serviu de pousada para o Imperador Dom Pedro II em suas viagens ao interior. Depois, levou também à Usina Hidrelétrica de Barra Bonita e à Eclusa, que é um sistema utilizado para transpor o desnível de vinte e seis metros de altura da barragem. O processo, chamado de "eclusagem", funciona mais ou menos como um elevador e permite que embarcações vençam desníveis como uma barragem, cachoeiras, etc.
SAIBA MAIS: Passeio Fluvial Tietê
Para subir ao nível da barragem, o barco entra num reservatório onde as comportas são fechadas e o reservatório é inundado, elevando o barco até o nível da represa. No processo inverso, a embarcação entra neste mesmo reservatório, já cheio (obviamente) e este é esvaziado até o nível do rio.
No caso de Barra Bonita, cada processo leva em torno de 12 minutos e esta foi a primeira eclusa da América do Sul a ser explorada turisticamente.
Dentre as outras atrações que a cidade oferece, conheci ainda a Igreja Matriz São José, inaugurada em 1926, a Ponte dos Arcos, trazida da Alemanha e inaugurada em 1915 e a orla turística no centro da cidade.
Ao longo do passeio por Barra Bonita, por várias vezes me peguei pensando a respeito do turismo no Brasil. Há lugares que visito que me deixam com a sensação de que poderiam ser mais bem explorados. E quando digo "explorado", é no melhor sentido da palavra. Com responsabilidade social, respeito ao meio ambiente e o mínimo de infraestrutura. Não de forma básica e, muitas vezes, precária, sabe ?
Precisamos aprender a aproveitar melhor nosso clima e a natureza exuberante para proporcionar mais opções de passeios, desenvolvendo ainda mais o turismo nacional, gerando mais empregos, beneficiando cidades, povoados e vilarejos e, claro, fazendo girar a economia.
Eu sei que é sempre mais fácil botar tudo na conta do governo mas, no caso específico do turismo, o governo, através do Ministério do Turismo, poderia ter um pouco mais de atenção nesse aspecto. Poderia se relacionar mais e melhor com os governos locais e ajudá-los a formar parcerias com empresas privadas, permitir a criação de infraestrutura adequada e proporcionar melhores condições para quem faz do turismo o seu ganha pão.
E estas condições podem existir com investimentos e incentivos, principalmente no que se refere a impostos e burocracia. E é exatamente aí que vejo grandes oportunidades para o governo atuar como facilitador.
Turismo gera empregos e traz uma série de benefícios e desenvolvimento ao local e àqueles que sabem explorá-lo. Na minha opinião, o melhor caminho é dar oportunidade para que as pessoas vivam suas vidas dependendo o mínimo possível do governo e não o contrário, como temos visto ultimamente.
Garantir o respeito à natureza, aos rios e ao patrimônio histórico é outra questão fundamental. Outra oportunidade de atuação do governo, investindo em educação, conscientização e fiscalização eficiente pois, respeitá-los é, antes de tudo, respeitar a si mesmo, a nossa história e o nosso próprio futuro.
Que bom seria se nossos governantes e nosso povo pudessem se dar conta da importância da preservação, tanto do meio ambiente, quanto do patrimônio histórico. Precisamos de campanhas inteligentes e ensinar as crianças desde a pré-escola. Não sei se hoje o ensino fundamental fala sobre esse assunto. Eu, infelizmente, não aprendi nada disso dentro da escola. Muito pouco se falava sobre isso, pelo menos na minha época. Felizmente, aprendi a valorizar estes locais e sua importância visitando, conhecendo e percebendo o quão importantes são sob todos os aspectos.
O país precisa voltar seus olhos para esses tesouros. Há muitos lugares que poderiam ser mais bem explorados turisticamente. Rios, represas, montanhas e principalmente ferrovias.
Outro grande exemplo é a antiga EFOM (Estrada de Ferro Oeste de Minas) que chegou a ter quase 700km de extensão e hoje, destinados ao turismo, restaram apenas 12km, entre São João Del Rey e Tiradentes e, mesmo assim, por pressão da sociedade, já que, no início dos anos 80, houve um projeto para extinção da linha. Há tantos trechos abandonados que poderiam ser revitalizados e destinados ao turismo. Tantas estações abandonadas, desmoronando ou em ruínas. Um óbvio descaso com aquilo que poderia ser um rico patrimônio histórico. Mas este já é um assunto para um outro dia, um outro texto.
PS: Voltei em 2025 apenas pra dizer que finalmente escrevi o texto sobre a EFOM - clique AQUI para ler. Até ameacei escrevei sobre isso em 2012, mas fui levado por outros pensamentos e acabei deixando para "outro dia" novamente. Essa "introdução", também pode ser lida AQUI.

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