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Nove Cidades – Parte 5

 

Quase que cruzando o Brasil, deixei Recife tendo como próximo destino, Curitiba.

Já havia estado em Curitiba antes. Também à trabalho. Coisa rápida. Cheguei de manhã e fui embora de noite (para variar). Lembranças mesmo, só de que o avião balançou muito na volta e de ter passado em frente àquele prédio do Bamerindus, famoso por aparecer todo iluminado numa propaganda de natal, junto com um coral de crianças.

Dessa vez também não foi diferente, inclusive no que se refere ao avião. Pra dizer a verdade, esta passagem por Curitiba também não rendeu nenhum fato digno de nota neste humilde registro. Então, para economizar tempo, o seu e o meu, vamos tocar em frente.

De Curitiba, voei para Porto Alegre enfrentando o mau tempo. Consequentemente, houve muita turbulência e balançou o suficiente para que o serviço de bordo fosse interrompido três vezes. E acabei chegando em Porto Alegre com mais de uma hora de atraso porque foi necessário esperar melhores condições meteorológicas para ao pouso. Na prática, a impressão que deu é que o avião foi batendo asas até Porto Alegre. Tanto que um senhor que estava sentado ao meu lado reclamava, dizendo:

“- Toda vez que venho à Porto Alegre é esse inferno”.

Disse também que, numa dessas oportunidades, sem condições para pouso, foi obrigado a voltar pra São Paulo. Achei meio absurdo e cheguei até a duvidar da veracidade do relato dele. Ciente de que aquela conversa, de outra coisa não serviria senão aumentar a minha tensão, resolvi não dar muito papo ao tiozão mal humorado…

Como se já não bastasse toda a turbulência, quando o pouso foi autorizado, experimentei o “pior” (na verdade, mais desconfortável) pouso da minha vida. Não foi um pouso, foi como se o avião tivesse sido jogado na pista. Com direito a barulhos de todos os tipos, pessoas se segurando do jeito dava e se entreolhando apavoradas. Só faltou mesmo as máscaras de oxigênio caindo para dar o toque final.

Minutos depois, pelo rádio, o piloto se desculpou dizendo que, por causa das condições de pista molhada, aquele era o tipo de pouso mais indicado, pois o impacto do aparelho na pista quebra o espelho d’água e evita aquaplanagem. É um pouso desconfortável, mas totalmente seguro.

Ok. No fim das contas, é como dizem por aí: “Uma aterrissagem nada mais é que uma queda controlada”.

Momentos depois, na fila do táxi, conversei com um outro rapaz que era de São José dos Campos, mas que morava em Porto Alegre. Ele dizia que esses problemas são mesmo frequentes em Porto Alegre. Dizia ainda que, uma vez, devido ao mau tempo ele teve que pousar em Florianópolis e chegar a Porto Alegre de ônibus. Pensei comigo: Ok… não foi legal, é verdade. Mas poderia ter sido pior.

Passei aquela noite no City Hotel. O mais antigo hotel de Porto Alegre. Não gosto muito de hotéis antigos. Fico com impressão de que sempre há coisas escondidas atrás das cortinas, pessoas misteriosas pelos corredores, enfim. Coisas minhas. Quem assistiu aos filmes “O Iluminado” com Jack Nicholson e “1408” com John Cusack entenderá melhor o que eu quero dizer. Longos corredores largos e acarpetados, silenciosos e escuros. Números grandes nas portas e um sistema com sensor de presença que acende a luz a medida que avançamos. Uma tecnologia que definitivamente não combina com o ambiente “retrô”.

Pensei que o quarto era bom. Não era!

Não se enquadrava em nenhuma das suítes apresentadas no site deles. Deve ser uma categoria especial para pelegos enviados por empresas de SP. Extremamente pequeno. A mobília, no estilo antigo, meio colonial, era composta de um pequeno guarda-roupas, uma penteadeira daquelas com as pernas em curvas, um pequeno criado mudo e uma cama que não era nem de solteiro e nem de casal, sendo que um dos lados ficava encostado na parede. Havia janela. Mas não havia diferença de luminosidade com ela aberta ou fechada, já que dava para um poço quase sem luz natural e com paredes úmidas e enegrecidas pelo tempo e pela umidade. O banheiro era todo branco revestido com aqueles pequenos azulejos quadrados. Conjunto de lavatório antigo e com bidê. Chuveiro sobre a banheira, daquelas antigas com marcas de ferrugem escorrendo das peças de metal por onde sai a água. E, claro, escondida pelas clássicas cortinas plásticas que dão sempre a sensação de haver alguém escondido atrás. Péssima impressão.

Esperava que o restaurante fosse bom. Não era!

Um self-service com restos de sabe-se lá que horas. Mas já era tarde, não conhecia o lugar e nem estava com disposição de procurar. Então, tentei achar naquelas sobras algo que enganasse meu estômago até o café da manhã.

Durante o meu jantar, envolto em todos esses pensamentos, me dei conta que estava tocando Ozzy no som ambiente do restaurante. Não reconheci a música, mas a voz era inconfundível. Pensei comigo se havia mais alguma coisa que pudesse piorar ainda mais a minha impressão sobre o hotel. E o pior é que havia.

Voltei pro quarto mas foi difícil dormir. O encanamento era barulhento. Cada vez que alguém usava o banheiro ouvia-se aquele barulho característico de água descendo pelos canos. O ar condicionado, além de ser barulhento, ficava exatamente sobre a cabeceira da cama, no mesmo alinhamento vertical de todos os aparelhos dos demais andares, ou seja, um em cima do outro. Como resultado, a água que pingava do ar condicionado do andar de cima caia sobre o aparelho debaixo criando um pinga-pinga infernal.

E o pior é que a empresa deve ter pago caro pela diária daquela espelunca.

SAIBA MAIS: City Hotel Porto Alegre

E para fechar em grande estilo minha breve passagem por Porto Alegre, passei vergonha de manhã, no táxi, indo para o trabalho. Pedi o táxi e, depois de aguardar alguns minutos, pois não havia nenhum na porta do hotel, entrei saudando o motorista dos pampas com um belo “Bom dia!”

Em seguida, cheio de pose, declamei o meu endereço de destino. O motorista, com extrema impaciência, mal esperou que eu terminasse de falar e perguntou:

“- Você está de sacanagem comigo ?

Sem entender nada perguntei o porque e tive como resposta a seguinte frase:

“- Vou te levar lá pra você ver”.

O endereço era na próxima quadra e não fiquei nem um minuto dentro do carro. Totalmente desconcertado, paguei, agradeci e me desculpei, não necessariamente nessa ordem.

Ok. Falha minha. Poderia ter me informado no hotel, antes de pedir o táxi, se o tal endereço era perto. É que, em todas essas minhas viagem de trabalho nunca fiquei num hotel tão próximo assim ao escritório e, automaticamente, acabei me deixando levar pelas experiências anteriores.

Agora terei que conviver com minha recém adquirida fama de Mané, em Porto Alegre. Fazer o quê? Pelo menos rendeu uma história pra contar.

Continua…

Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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