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A Roleta Russa do Tempo

Dez anos. 

É curioso como esse número parece pequeno quando falamos de tecnologia e imenso quando falamos de consciência.

O recente atentado terrorista ocorrido na Austrália, durante uma comemoração judaica e que já passa de 16 mortos, a crescente onda de violência contra cristãos em várias partes do mundo, especialmente na Nigéria, me lembraram de coisas que escrevi ao longo do tempo.

Em 2015, escrevi um texto impactado por uma imagem que chocou o mundo. Clique aqui para ler!

Naquele momento, vivíamos o que parecia ser o ápice tecnológico da humanidade. O discurso era de progresso, inovação, avanço irreversível. Ainda assim, ali estava ela: a barbárie nua, crua, incontestável, lembrando que o avanço técnico não havia sido (e parece que nunca será) acompanhado por um salto moral.

Em 2019 escrevi outro texto, contando o episódio em que eu mesmo quase fui uma das vítimas dessa roleta russa. Clique aqui para ler!

No começo deste ano (2025), escrevi uma reflexão nascida de uma conversa com uma IA (a que ponto cheguei...). Debatemos justamente sobre este tema: evolução humana x evolução tecnológica. Clique aqui para ler!

Hoje, prestes a entrar em 2026, olho para trás e a sensação continua desconfortável, amarga: a tecnologia avançou em dez anos o que talvez não tenha avançado em séculos. Mas o ser humano… não. 

As mesmas guerras, as mesmas justificativas, as mesmas vítimas. O mesmo tambor girando. 

Ah! Acabei de me lembrar. Ainda em 2024, escrevi também um poema e uma reflexão sobre ele. Clique aqui para ler!. Não como análise histórica, mas sintomática. 

Sensações estranhas, crises silenciosas, lapsos que talvez nem sejam de memória, mas de sentido. Uma jornada quase solitária em meio à pressa coletiva. E a roleta russa do tempo aparecendo ali como metáfora. 

Mas hoje percebo que era mais do que isso. Era constatação.

Este assunto recorrente me incomoda? Sim! São textos pesados? Geralmente sim! Acabam tornando esse espaço repetitivo? Talvez. 

Por que continuo escrevendo sobre isso, então? Honestamente, não sei. Gosto de escrever frases soltas e colecioná-las para usar em futuros textos ou poemas. Às vezes, quando menos espero, já tenho quase que um raciocínio todo pronto. Basta estruturar e dar os toques finais.

A verdade é que o tempo passa e seu efeito sobre nós não leva automaticamente ou necessariamente à evolução. Ele apenas revela, com mais nitidez, quem somos. E a tecnologia só potencializa o que já existe. Se existe compaixão, ela amplifica. Se existe crueldade, amplifica também. 

A diferença é que agora a barbárie vem em 4K, ao vivo, com notificação no celular. 

A violência talvez não tenha aumentado; ela apenas ficou mais visível, mais rápida, mais banalizada.

Se em 2015, uma imagem chocava o mundo, em 2025, ela choca… por algumas horas. Depois, a gente apenas rola o feed.

Durante anos tentamos explicar a barbárie apontando para fora: pobreza, fome, falta de oportunidades, religião, ideologia. Tudo isso pesa, influencia, pressiona. Mas não explica o essencial. Se explicasse, a maioria das pessoas submetidas a essas condições seria bárbara e não é. A maioria segue tentando continuar, cuidar, proteger e sobreviver mais um dia.

A meu ver, é aqui que entra o detalhe que costuma incomodar o discurso moderno: o problema não é só social, é ético e espiritual. Quando se remove qualquer noção de limite interno, de responsabilidade, de valor do outro, da sacralidade da vida, o ser humano não fica neutro; ele fica perigoso.

A tecnologia, a ideologia, a religião, a miséria… tudo isso pode ser usado como instrumento. Mas o impulso para a destruição não vem do instrumento. Vem da mão que o segura.

Todo ser humano tem potencial para o abismo. Não como destino, mas como possibilidade. A diferença não está na ausência desse potencial, mas na existência, ou não, de um limite interno. De um freio moral que diz “não”, mesmo quando ninguém está olhando, mesmo quando há justificativas, mesmo quando o mundo aplaude.

E o mais perigoso é que esse freio nem sempre se comporta do mesmo jeito.

Às vezes ele se desgasta aos poucos. Outras vezes, quando o limite moral cai, ele simplesmente deixa de existir.

Mas também há situações em que o freio é abafado pelo coro. Pela multidão, pela ideologia, pela urgência dos dias, pelo desespero, pela sensação confortável de pertencimento. O indivíduo não se vê como cruel, mas como necessário, funcional, alinhado com “algo maior”.

E o tempo, implacável, registra tudo isso. Ele não absolve, nem condena; apenas expõe.

Na longa distância dos anos, acumulam-se lições valiosas. Quase todas rejeitadas pela insana urgência do presente. Corremos, produzimos, evoluímos tecnicamente, mas seguimos cruzando as mesmas linhas imaginárias, repetindo os mesmos erros em escolhas fundamentais.

Talvez escrever, em 2015, em 2024 ou mesmo agora, seja pra mim só uma tentativa de olhar o tambor girando e perguntar: até quando?

Porque no fim, não é o tempo que decide quem cai no abismo. É o próprio indivíduo (e desde Genesis é assim) no exato momento em que escolhe, conscientemente ou não, soltar o freio.

E enquanto ele gira, o mundo, o tambor ou ponteiro do relógio, seguimos por aqui tentando aprender, tentando lembrar, tentando ensinar e tentando não esquecer que progresso sem consciência e sem amor é apenas velocidade… e na direção errada.

Obrigado por ler até aqui!
Até a próxima!
Fabior

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